Política Data-Driven: o que os números mostram sobre os governos Bolsonaro e Lula

Ser data-driven é decidir com base em dados, não em narrativas. Neste artigo, comparamos os governos Bolsonaro e Lula 3 em PIB, desemprego, renda, salário mínimo, inflação, alimentos, imóveis e agro, com dados oficiais e o contexto por trás de cada número. Confira.

Escrito por: Rafael Zaia

Publicado em 21/10/202623 min de leitura

Política Data-Driven: análise de indicadores econômicos do Brasil, como PIB, desemprego, inflação, renda e salário mínimo, com gráficos e dados.

No marketing, ser data-driven significa tomar decisões orientadas por dados. O planejamento deixa de ser conduzido apenas por percepção, preferência pessoal ou intuição e passa a se basear em indicadores, objetivos, métricas e resultados.

Essa lógica não precisa ficar restrita à vida profissional e às empresas.

Se dados são importantes para decidir onde investir uma verba de marketing, avaliar a performance de uma estratégia ou entender o comportamento de um consumidor, eles também podem contribuir para um debate político mais qualificado, já que os dados refletem o resultado das ações.

Em períodos eleitorais, discursos, slogans e promessas disputam atenção. Mas existe uma camada que deveria fazer parte de qualquer análise: o que os indicadores efetivamente mostram.

Isso não significa que um único número seja capaz de definir se um governo foi bom ou ruim, nem que toda mudança econômica possa ser atribuída exclusivamente ao presidente de determinado período.

Economia, emprego, renda, inflação e atividade produtiva são influenciados por fatores internos e externos, políticas públicas, Congresso, Banco Central, cenário internacional e acontecimentos extraordinários.

Política data-driven significa justamente evitar conclusões baseadas apenas em narrativas, paixões e ideologias.

É olhar para os números, entender o período analisado, comparar indicadores oficiais e, então, formar uma opinião sobre o melhor caminho a seguir.

Se o discurso confunde, os números ajudam a esclarecer.

Crescimento do PIB: medir a economia exige comparar períodos equivalentes

O Produto Interno Bruto (PIB) representa tudo o que a economia produz em bens e serviços e é um dos principais indicadores usados para acompanhar o nível de atividade do país.

As taxas de crescimento mostram a trajetória da economia ao longo dos anos, mas comparações acumuladas exigem cuidado: taxas sucessivas devem ser compostas (multiplicadas), e não simplesmente somadas.

Comparativo do crescimento do PIB: no governo Bolsonaro (2019–2022) a economia cresceu 5,6% acumulados em 4 anos; no governo Lula 3 (2023 até o 1º semestre de 2026) cresceu 11,2% acumulados em 3 anos e meio. O crescimento da economia no governo Lula foi 2x maior que no governo Bolsonaro. Fonte: IBGE – Contas Nacionais Trimestrais.

Também é importante considerar que cada governo enfrentou um contexto econômico diferente, com pandemia, mudanças nos juros, variação nos preços internacionais, choques de oferta e alterações no cenário global.

Os dados também mostram que, em 2020, ano da pandemia, o PIB do Brasil caiu 3,3%, enquanto a média dos países emergentes recuou 1,8%, segundo o FMI. Ou seja, mesmo considerando o choque global, o Brasil teve desempenho pior que a média dos emergentes.

Política orientada por dados não escolhe apenas o número mais conveniente. Ela também explica o contexto em que ele aconteceu.


Desemprego: o mercado de trabalho em números

A taxa de desemprego talvez seja o indicador mais diretamente ligado à percepção que a população tem da economia.

Porém, existe uma diferença importante entre comparar:

  • uma média anual;
  • uma média de governo;
  • um trimestre específico;
  • ou um trimestre móvel.

São medidas diferentes. Uma comparação rigorosa deve, preferencialmente, confrontar indicadores construídos com a mesma metodologia e em intervalos equivalentes. Por isso, o card abaixo compara a média de cada governo.

Essa distinção é justamente o que separa propaganda baseada em números de uma análise realmente Data-Driven.

Comparativo do desemprego: no governo Bolsonaro (2019–2022) a taxa média foi de 12,1%, com pico de 14,7% em 2021; no governo Lula 3 (2023 a jun/2026) a média foi de 6,5%, com mínima histórica de 5,3% em jun–ago/2026. Queda de 46% no governo Lula. Fonte: IBGE – PNAD Contínua.

Renda do trabalhador e renda per capita não são a mesma coisa

É importante não confundir esses dois indicadores.

Rendimento médio do trabalhador:  mede quanto ganham, em média, as pessoas ocupadas. É a soma de tudo o que os trabalhadores recebem por mês dividida pelo número de trabalhadores com renda, corrigida pela inflação (IPCA) para os preços do ano mais recente. É útil para avaliar a remuneração, o mercado de trabalho e o poder de compra de quem está empregado.

Renda domiciliar per capita real:  soma os rendimentos do domicílio, do trabalho e de outras fontes, e divide o total pelo número de moradores. Por isso, entram na média também crianças, desempregados e outros moradores sem renda própria.

O termo real indica que os valores foram ajustados pela inflação. Por isso, uma alta na renda domiciliar per capita real representa aumento do poder de compra médio por pessoa, e não apenas crescimento nominal dos valores em reais.

Os dois indicadores podem ou não melhorar ao mesmo tempo, mas respondem a perguntas diferentes.

Um rendimento médio do trabalho maior indica melhora na remuneração das pessoas ocupadas. Uma renda domiciliar per capita real maior indica que, considerando as diferentes fontes de renda e todas as pessoas que vivem nos domicílios, há mais recursos disponíveis por pessoa em termos de poder de compra.

Essa distinção é especialmente importante em uma análise Data-Driven. Escolher o indicador adequado para a pergunta que queremos responder é tão importante quanto olhar para o próprio número.

Um exemplo simples Imagine uma família com quatro pessoas: uma pessoa recebe R$ 5.000 de salário; outra recebe R$ 3.000; duas crianças não possuem renda. A renda total do domicílio é de R$ 8.000. Dividindo esse valor pelos quatro moradores, a renda domiciliar per capita é de R$ 2.000.

Dados ficam mais úteis quando, além de mostrar o número, entendemos exatamente o que esse número significa.


Renda do trabalho: quanto recebem, em média, as pessoas ocupadas?

Quando falamos em renda do trabalhador, o indicador mais adequado é o rendimento médio real do trabalho.

Esse indicador mede quanto recebem, em média, as pessoas ocupadas pelo exercício de suas atividades profissionais.

Diferentemente da renda per capita, ele não considera toda a população, apenas as pessoas ocupadas que têm rendimento do trabalho.

Ou seja, crianças, desempregados e demais pessoas sem trabalho não entram nesse cálculo, ao contrário do que acontece na renda per capita.

Em outras palavras, não basta perguntar “quanto o salário aumentou?”. A pergunta certa é: “quanto o rendimento do trabalho aumentou em termos reais?"

Comparativo da renda do trabalho: no governo Bolsonaro, o rendimento médio de todos os trabalhos caiu de R$ 3.204 para R$ 3.032 (2019–2022), queda real de 5,4%; no governo Lula 3, subiu de R$ 3.032 para R$ 3.560 (2022–2025), alta real de 17,4%, recorde da série histórica. Valores a preços de 2025. Fonte: IBGE – PNAD Contínua.

Esse indicador é especialmente útil para analisar a evolução da remuneração das pessoas ocupadas e compreender se o mercado de trabalho está proporcionando ganhos reais de renda.

Para avaliar a renda de quem está trabalhando, o indicador relevante é o rendimento médio real do trabalho.


Renda per capita: quanto de renda existe, em média, para cada pessoa?

A renda per capita real responde a uma pergunta diferente da renda do trabalho.

Enquanto o rendimento do trabalho observa a remuneração das pessoas ocupadas, a renda per capita procura mostrar quanto de renda existe, em média, para cada pessoa que vive em um domicílio.

No indicador utilizado pelo IBGE, primeiro são considerados os rendimentos recebidos pelos moradores do domicílio — provenientes do trabalho e também de outras fontes — e depois esse total é dividido pelo número de moradores.

Entre essas outras fontes podem estar, por exemplo, aposentadorias, pensões, aluguéis, pensão alimentícia, doações e benefícios sociais.

Isso significa que a renda per capita também considera pessoas que não possuem rendimento próprio.

Uma criança, por exemplo, normalmente não tem renda, mas entra na divisão da renda familiar. O mesmo vale para uma pessoa desempregada. Já um aposentado contribui para a renda da família com sua aposentadoria ou pensão.

Por isso, renda do trabalho e renda per capita não devem ser tratadas como se fossem a mesma coisa.

Um aumento do rendimento médio real do trabalho indica melhora na remuneração das pessoas ocupadas.

Já um aumento da renda per capita real mostra que, considerando os rendimentos existentes no domicílio e todas as pessoas que vivem nele, há mais recursos disponíveis por pessoa em termos de poder de compra.

Comparativo da renda per capita das famílias: no governo Bolsonaro caiu de R$ 1.904 para R$ 1.810 (2019–2022), queda real de 4,9%; no governo Lula 3 subiu de R$ 1.810 para R$ 2.264 (2022–2025), alta real de 25,1%, recorde da série histórica. Valores a preços de 2025. Fonte: IBGE – PNAD Contínua.

Essa é a forma mais precisa de apresentar o dado. O termo real já significa que o efeito da inflação foi descontado.

Portanto, em vez de afirmar que a renda “cresceu 25% acima da inflação”, a formulação tecnicamente mais adequada é: “a renda per capita real cresceu 25,1% entre 2022 e 2025”.


Fome e insegurança alimentar: menos brasileiros passaram a enfrentar restrições de acesso à comida

Fome e insegurança alimentar não são exatamente a mesma coisa, e essa distinção é importante para interpretar os dados corretamente.

A FAO utiliza diferentes indicadores para acompanhar o problema. Um deles é a prevalência de subalimentação, usada no chamado Mapa da Fome. Outro é a insegurança alimentar moderada ou grave, que identifica pessoas que tiveram dificuldade de acesso regular a alimentos em quantidade e qualidade adequadas.

No triênio de 2020 a 2022, a subalimentação atingia 3,5% da população, acima do limite de 2,5% que define a presença de um país no Mapa da Fome. Com os dados de 2022 a 2024, o Brasil voltou a sair do mapa, e o relatório mais recente da FAO, com dados de 2023 a 2025, confirmou que o país segue abaixo desse limite.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Insegurança alimentar. Bolsonaro: 22,1% da população em insegurança alimentar moderada ou grave entre 2020 e 2022, com o Brasil no Mapa da Fome. Lula 3: 9,6% entre 2023 e 2025, com o Brasil fora do Mapa da Fome. Destaque: insegurança alimentar caiu 57% com Lula. Fonte: FAO/ONU, relatório SOFI 2026.

Já a insegurança alimentar moderada ou grave também apresentou forte redução ao longo dos últimos anos. Esse indicador é mais amplo do que a fome extrema, porque inclui situações em que as famílias precisam reduzir a qualidade ou a quantidade dos alimentos consumidos.

Por isso, ao analisar dados sobre fome, é importante identificar exatamente qual indicador está sendo comparado. Subalimentação, insegurança alimentar moderada ou grave e insegurança alimentar grave são métricas diferentes e não devem ser tratadas como sinônimos.

A melhora observada no período também não deve ser atribuída automaticamente a uma única variável. Renda, emprego, inflação dos alimentos, produção agrícola, programas de transferência de renda, alimentação escolar e políticas de segurança alimentar influenciam diretamente esse resultado.

Em uma análise Data-Driven, a conclusão mais importante é que os indicadores oficiais mostram uma melhora expressiva na segurança alimentar do país nos últimos anos, ao mesmo tempo em que exigem cuidado metodológico para não misturar medidas diferentes.


Pobreza: número de brasileiros abaixo da linha de pobreza caiu ao menor nível da série

A pobreza monetária é outro indicador essencial para entender as condições de vida da população.

O IBGE utiliza, entre outras referências, a linha internacional do Banco Mundial de US$ 6,85 por pessoa por dia em paridade de poder de compra para acompanhar a parcela da população abaixo da linha de pobreza.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Pobreza. Bolsonaro: 66,5 milhões de pessoas na pobreza em 2022, após um pico de 77 milhões em 2021. Lula 3: 48,9 milhões em 2024, o menor número da série histórica. Destaque: 17,5 milhões de pessoas saíram da pobreza. Fonte: IBGE, Síntese de Indicadores Sociais, linha de US$ 6,85 por dia em paridade de poder de compra.

Em 2019, 32,6% da população brasileira estava abaixo dessa linha. A proporção subiu para 36,8% em 2021, o equivalente a 77 milhões de pessoas, e terminou 2022 em 31,6%. Em 2023, caiu para 27,3% e, em 2024, recuou novamente para 23,1%, o menor percentual da série histórica iniciada em 2012.

Em números absolutos, a redução representa milhões de pessoas deixando a condição de pobreza ao longo do período.

É importante observar que pobreza não mede apenas se uma pessoa está empregada ou desempregada. O indicador considera o rendimento domiciliar per capita, ou seja, a renda disponível no domicílio dividida pelo número de moradores.

Isso significa que salários, aposentadorias, pensões, benefícios sociais, outras fontes de renda e a própria composição das famílias influenciam diretamente o resultado.

Os programas sociais também têm peso relevante. O próprio IBGE mostra que, sem os benefícios de programas sociais, a proporção de pessoas em situação de pobreza seria maior. 

Portanto, uma leitura Data-Driven deve ir além da frase “a pobreza caiu”. É preciso entender qual linha de pobreza foi utilizada, qual período está sendo comparado e quais fatores contribuíram para a mudança.

Os dados mostram melhora relevante, mas a análise fica mais forte quando o indicador, a metodologia e o período são apresentados com clareza.


Salário mínimo: preservar o valor ou gerar aumento real?

Quando se fala em salário mínimo, simplesmente comparar valores nominais não é suficiente.

Se o salário sobe 8%, mas os preços também sobem 8%, praticamente não houve avanço de poder de compra. Por isso, o indicador mais relevante é o ganho real, ou seja, o reajuste acima da inflação. 

A análise do salário mínimo precisa considerar o comportamento da inflação e quanto do reajuste efetivamente representou ganho de poder de compra para o trabalhador.

Comparativo da valorização real do salário mínimo: no governo Bolsonaro (2019–2022) o mínimo foi de R$ 954 para R$ 1.212 e perdeu 1,2% para a inflação; no governo Lula 3 (2023–2026) foi de R$ 1.212 para R$ 1.621, com valorização real de 13,9%. Fonte: IBGE (INPC até set/2026).

Esse é um bom exemplo de análise data-driven: não perguntar apenas “quanto o salário subiu?”, mas “quanto ele subiu acima da inflação?”. Por esse critério, o salário mínimo terminou o governo Bolsonaro valendo 1,2% menos, em termos reais, do que no início do mandato. No governo Lula, a valorização real chega a 13,9%.


Inflação média anual: ritmo de alta dos preços foi menor no período mais recente

A inflação é um dos fatores que mais afetam o poder de compra das famílias. Para acompanhar sua evolução, o principal indicador usado no Brasil é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE.

Entre 2019 e 2022, o IPCA acumulou 26,9%, uma média de 6,1% ao ano. Entre janeiro de 2023 e setembro de 2026, o acumulado foi de 18,9%, com média de 4,7% ao ano.

Comparativo da inflação média anual (IPCA): no governo Bolsonaro (2019–2022) a média foi de 6,1% ao ano, com acumulado de 26,9% em 4 anos; no governo Lula 3 (jan/2023–set/2026) a média foi de 4,7% ao ano, com acumulado de 18,9% até setembro de 2026. Inflação 23% menor no governo Lula. Fonte: IBGE.

No recorte apresentado, isso representa uma inflação média anual 23% menor no governo Lula.

É importante observar que o segundo período ainda não tem quatro anos completos, já que os dados de 2026 vão até setembro. Por isso, a comparação usa a média anual, que neutraliza essa diferença de duração.

Em uma análise data-driven, o ponto central é observar a série oficial, comparar períodos com transparência e fazer uma leitura crítica do que está por trás dos números.


Inflação dos alimentos: um indicador que chega diretamente à mesa

Poucos indicadores econômicos são percebidos de forma tão imediata quanto o preço dos alimentos.

A inflação geral pode parecer abstrata. O preço do arroz, da carne, do leite, dos ovos, das frutas e dos demais itens do supermercado não.

Por isso, comparar a evolução do grupo Alimentação e bebidas do IPCA entre diferentes períodos ajuda a transformar uma discussão política genérica em algo mensurável.

Uma comparação responsável precisa mostrar:

  • qual período foi considerado;
  • qual grupo do IPCA foi utilizado;
  • se o cálculo é acumulado ou média anual;
  • qual é a fonte da série.

Sem isso, até um número correto pode produzir uma conclusão enganosa.

Comparativo da inflação dos alimentos (IPCA – Alimentação e bebidas): no governo Bolsonaro (2019–2022) os alimentos subiram 46,2%, média de 10% ao ano; no governo Lula 3 (jan/2023–set/2026) subiram 16,9%, média de 4,3% ao ano. Alta média 57% menor no governo Lula. Fonte: IBGE.

Na média anual, a alta dos alimentos foi 57% menor no governo Lula: 4,3% ao ano, contra 10% ao ano entre 2019 e 2022.


Vendas no varejo: volume de vendas cresceu mais rapidamente entre 2023 e 2025

O desempenho do comércio varejista ajuda a medir o ritmo do consumo das famílias e da atividade econômica. Para acompanhar esse movimento, o IBGE utiliza a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), que mede, entre outros indicadores, a variação do volume de vendas do varejo.

Entre 2019 e 2022, as variações anuais do comércio varejista foram de 1,8%, 1,2%, 1,4% e 1,0%, respectivamente. Considerando essas taxas de forma composta, o crescimento acumulado no período ficou próximo de 5,5%. 

Já entre 2023 e 2025, o varejo registrou crescimento de 1,7% em 2023, 4,1% em 2024 e 1,6% em 2025. Compondo essas variações, o avanço acumulado ficou em aproximadamente 7,6%, mesmo sendo um período de três anos, um a menos que o anterior.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Vendas no varejo. Bolsonaro: volume de vendas cresceu 5,5% acumulado em 4 anos, entre 2019 e 2022, média de 1,3% ao ano. Lula 3: crescimento de 7,6% acumulado em 3 anos, entre 2023 e 2025; em 2024, a maior alta desde 2012. Destaque: varejo cresceu quase 2x mais por ano com Lula. Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio.

O resultado de 2024 se destacou nesse intervalo, com expansão de 4,1% na série atualmente consolidada pelo IBGE. Em 2025, o setor voltou a crescer, mas em ritmo menor, com alta de 1,6%. 

Isso mostra uma expansão mais intensa do volume vendido pelo comércio varejista no período de 2023 a 2025. Ainda assim, o desempenho do varejo não depende exclusivamente do governo federal: renda, emprego, inflação, juros, crédito, confiança do consumidor e condições econômicas gerais também influenciam diretamente as vendas.

Em uma análise Data-Driven, também é importante comparar taxas acumuladas corretamente. Como os percentuais anuais incidem sobre bases sucessivas, o cálculo adequado é composto, e não a simples soma das taxas de cada ano.


Exportações do agronegócio: olhar para o resultado antes de repetir discursos

O agronegócio ocupa uma posição central na economia brasileira e frequentemente aparece no debate político. Por isso, uma análise baseada em dados precisa ir além da ideia de que determinado setor pertence politicamente a um lado ou a outro.

Os dados oficiais de comércio exterior permitem acompanhar a evolução das exportações brasileiras e do agronegócio. O Ministério da Agricultura mantém o AgroStat, enquanto o MDIC disponibiliza as bases detalhadas do comércio exterior brasileiro.

O ponto relevante é observar a trajetória das vendas externas durante diferentes períodos e utilizar sempre a mesma definição de agronegócio na comparação.

No card abaixo, comparamos as exportações do agro nos dois governos. Como 2026 ainda não terminou, os dados do governo Lula vão até setembro, e por isso a comparação também usa a média anual.

Comparativo das exportações do agronegócio: governo Bolsonaro (2019–2022) US$ 477 bi, média de US$ 119 bi/ano; governo Lula 3 (jan/2023–set/2026) US$ 634 bi, média de US$ 169 bi/ano. Agro vendeu 42% mais por ano no governo Lula. Fonte: MAPA/MDIC.

Vale lembrar que o valor exportado depende muito dos preços internacionais das commodities e do câmbio, e não apenas de decisões de governo. É justamente por isso que uma análise data-driven precisa apresentar o número e também o seu contexto.


Balança comercial: superávit médio anual foi 54% maior entre 2023 e 2025

A balança comercial registra a diferença entre o valor das exportações e das importações brasileiras. Quando o país exporta mais do que importa, o resultado é um superávit comercial.

Segundo os dados consolidados do ComexStat, entre 2019 e 2022 o Brasil acumulou aproximadamente US$ 208,5 bilhões em superávit comercial, o equivalente a uma média de cerca de US$ 52,1 bilhões por ano. 

Entre 2023 e 2025, o saldo positivo acumulado chegou a aproximadamente US$ 241,2 bilhões, valor superior ao dos quatro anos anteriores, mesmo em um período de três anos. A média ficou em cerca de US$ 80,4 bilhões por ano.

Na comparação das médias anuais, o segundo período apresentou um superávit aproximadamente 54% maior.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Balança comercial. Bolsonaro: superávit médio de US$ 52,1 bilhões por ano entre 2019 e 2022, total de US$ 208,5 bilhões em 4 anos. Lula 3: superávit médio de US$ 80,4 bilhões por ano entre 2023 e 2025, os três maiores da história. Destaque: superávit 54% maior no governo Lula. Fonte: MDIC, ComexStat, dados consolidados.

O ano de 2023 registrou superávit de cerca de US$ 98,9 bilhões, o maior resultado da série. Em 2024, o saldo foi de aproximadamente US$ 74,2 bilhões, o segundo maior da série histórica, e em 2025 ficou em cerca de US$ 68,1 bilhões, o terceiro maior. Ou seja, os três maiores superávits já registrados ocorreram nesse período.

Uma análise Data-Driven, porém, precisa considerar que o saldo comercial não depende exclusivamente da atuação de um governo. Preços internacionais das commodities, câmbio, demanda externa, nível de atividade doméstica e comportamento das importações também influenciam diretamente o resultado.

Além disso, um crescimento mais forte da economia pode aumentar as importações e reduzir o superávit, mesmo quando as exportações permanecem elevadas. O próprio MDIC destaca essa relação entre atividade econômica interna e comportamento do saldo comercial.


Bolsa de Valores: Ibovespa teve ganho real expressivo entre 2023 e 2026

O Ibovespa é o principal índice do mercado de ações brasileiro e acompanha o desempenho de uma carteira formada por algumas das ações mais negociadas na B3. Por ser um índice de retorno total, sua metodologia considera também os proventos distribuídos pelas empresas e reinvestidos na própria carteira.

Entre o fim de 2018 e o fim de 2022, o Ibovespa passou de aproximadamente 87,9 mil pontos para 109,7 mil pontos. Isso corresponde a uma valorização nominal de cerca de 25%. No período, o IPCA acumulado foi de aproximadamente 26,9%, em que descontada a inflação ficou negativa em −1,6%.

Entre o fim de 2022 , o Ibovespa saiu de aproximadamente 109,7 mil pontos para 209,1 mil pontos em 9 de outubro de 2026, uma valorização nominal de cerca de 91%. Naquela data, o índice atingiu um novo recorde histórico de fechamento.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Bolsa de valores. Bolsonaro: Ibovespa subiu 25% entre 2019 e 2022, com ganho real próximo de zero após descontar a inflação. Lula 3: Ibovespa subiu 91% entre 2023 e outubro de 2026, com ganho real de cerca de 60%. Destaque: bolsa subiu 3,6x mais no governo Lula. Fonte: B3, Ibovespa, e IBGE, IPCA.

Entre 2023 e setembro de 2026, a inflação acumulada ficou em aproximadamente 18,9%. Comparando esse aumento dos preços com a valorização do Ibovespa até 9 de outubro de 2026, a rentabilidade real ficou próxima de 60%.

Esse cálculo não é feito simplesmenteain subtrdo inflação da valorização nominal. A forma adequada é comparar os fatores de crescimento: rentabilidade real = (1 + rentabilidade nominal) ÷ (1 + inflação) − 1

Também é importante lembrar que Bolsa de Valores não é sinônimo de economia real. O Ibovespa reflete principalmente expectativas sobre resultados futuros das empresas e a disposição dos investidores para comprar ou vender ativos. Por isso, sua evolução deve ser analisada junto de outros indicadores, como renda, emprego, inflação, pobreza, consumo e crescimento econômico.

Em resumo, no recorte apresentado, o Ibovespa registrou aproximadamente:

  • 2019–2022: +24,9% nominal e rentabilidade negativa descontada a inflação (−1,6%);
  • 2023–9 de outubro de 2026: +90,5% nominal e cerca de +60% em termos reais.
Um ganho nominal pode parecer elevado. O que mostra o aumento efetivo do poder de compra do investimento é a rentabilidade real.


Mercado imobiliário: vendas de imóveis novos avançaram entre 2022 e 2025

O mercado imobiliário é outro termômetro da atividade econômica, do crédito e da confiança.

Segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as vendas de imóveis residenciais novos cresceram 31% entre 2022 e 2025.

O avanço do número de imóveis vendidos mostra uma expansão relevante do mercado no período, mas sua interpretação também exige contexto.

Comparativo de imóveis novos vendidos: governo Bolsonaro, 325 mil unidades em 2022 (último ano do governo); governo Lula 3, 426 mil unidades em 2025, recorde da série histórica. Alta de 31% no governo Lula. Fonte: CBIC.

Mesmo com os juros ainda altos, o que encarece o crédito, a venda de imóveis novos acelerou, impulsionada principalmente pela ampliação dos programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida. Custos de construção, volume de lançamentos e condições regionais também influenciam diretamente o setor.


Educação: gasto federal médio anual foi maior em 2023 e 2024

Para comparar o financiamento federal da educação entre diferentes períodos, é importante utilizar valores corrigidos pela inflação e observar quanto foi efetivamente pago, e não apenas quanto estava previsto no orçamento.

Segundo dados do Tesouro Gerencial (Siafi), compilados pelo Todos Pela Educação, o Ministério da Educação registrou uma média anual de aproximadamente R$ 156,3 bilhões em valores pagos entre 2019 e 2022, considerando valores corrigidos pelo IPCA para preços de dezembro de 2024.

Nos dois primeiros anos do atual governo, 2023 e 2024, a média anual paga foi de aproximadamente R$ 173,8 bilhões.

Na comparação entre a média anual de 2019–2022 e a média dos anos de 2023–2024, o valor real pago pelo MEC foi cerca de 11% maior no segundo período.

É importante destacar que os períodos possuem durações diferentes: quatro anos entre 2019 e 2022 e dois anos entre 2023 e 2024. Por isso, a comparação apresentada utiliza a média anual, e não a soma total dos gastos de cada período.

A série mostra ainda que os valores pagos pelo MEC caíram de aproximadamente R$ 164,6 bilhões em 2019 para R$ 151,9 bilhões em 2021, uma redução de cerca de 8%, antes de voltarem a crescer. Foram cerca de R$ 156,4 bilhões em 2022, R$ 172,6 bilhões em 2023 e R$ 174,9 bilhões em 2024.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Educação. Bolsonaro: média anual paga pelo MEC de R$ 156,3 bilhões entre 2019 e 2022; o gasto caiu 8% de 2019 a 2021. Lula 3: média anual paga de R$ 173,8 bilhões entre 2023 e 2024; orçamento recorde em 2026. Destaque: investimento 11% maior no governo Lula. Fonte: Tesouro/Siafi e Todos Pela Educação, valores corrigidos para dezembro de 2024.

Os dados de 2025 ainda não foram incorporados a essa série. Levantamento do Inesc, com outro recorte metodológico, aponta que os gastos federais com educação passaram de R$ 161,2 bilhões em 2024 para R$ 180,6 bilhões em 2025, alta de cerca de 12%, puxada principalmente pela complementação da União ao Fundeb e pelo programa Pé-de-Meia. O mesmo levantamento mostra, porém, que as despesas discricionárias, aquelas que não são obrigatórias por lei, recuaram cerca de 1,4% no período.

Também é importante diferenciar orçamento autorizado de despesa efetivamente paga. O orçamento atualizado do MEC para 2026, de cerca de R$ 269,6 bilhões, é o maior da série e indica a disponibilidade de recursos, mas não deve ser misturado diretamente com esta comparação, que utiliza valores efetivamente pagos.

Em uma análise Data-Driven, essa distinção é essencial: comparar períodos diferentes exige utilizar uma métrica equivalente, neste caso, a média anual de valores pagos e corrigidos pela inflação.


Farmácia Popular: mais recursos e ampliação da gratuidade dos medicamentos

O Programa Farmácia Popular complementa a assistência farmacêutica do SUS por meio de farmácias credenciadas, oferecendo medicamentos gratuitos ou subsidiados para condições como hipertensão, diabetes, asma e outras doenças crônicas.

Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, os recursos destinados ao programa ficaram em cerca de R$ 2,5 bilhões, abaixo dos cerca de R$ 3,05 bilhões de 2018. Para o orçamento de 2023, a proposta enviada pelo governo previa uma redução de aproximadamente 59% na verba destinada à gratuidade dos medicamentos, corte que acabou sendo revertido durante a tramitação no Congresso.

A partir de 2023, o programa voltou a ampliar recursos e cobertura. Os valores executados foram de cerca de R$ 2,97 bilhões em 2023 e R$ 3,64 bilhões em 2024.

Em fevereiro de 2025, a política de gratuidade foi ampliada: os 41 itens oferecidos pelo Farmácia Popular passaram a ser disponibilizados gratuitamente aos públicos elegíveis, incluindo medicamentos e outros produtos de saúde que anteriormente ainda envolviam coparticipação.

Considerando os valores nominais utilizados no card, o investimento passou de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em 2022 para cerca de R$ 6,2 bilhões em 2025, o que representa um montante aproximadamente 2,5 vezes maior.

Essa comparação, porém, precisa de uma ressalva importante: os valores estão em reais nominais. Como houve inflação entre 2022 e 2025, parte desse aumento reflete a perda do poder de compra da moeda. Corrigindo o valor de 2022 pelo IPCA, a diferença real é menor, mas o investimento de 2025 continua pouco mais que o dobro do registrado em 2022.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Farmácia Popular. Bolsonaro: investimento de R$ 2,5 bilhões em 2022; o governo propôs corte de 59% para 2023. Lula 3: investimento de R$ 6,2 bilhões em 2025, com 41 remédios 100% gratuitos. Destaque: investimento 2,5x maior no governo Lula. Fonte: Ministério da Saúde, Ibsfarma e PLOA 2023, valores nominais.

Também é importante observar que parte do crescimento dos recursos acompanha uma ampliação do próprio programa. Além da expansão da gratuidade, houve retomada de credenciamentos e aumento da cobertura territorial e do número de beneficiários. Em 2024, quase 25 milhões de pessoas foram atendidas pelo programa, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Em uma análise Data-Driven, portanto, o dado mais relevante não é apenas que o orçamento aumentou. É entender também o que mudou na política pública: mais itens gratuitos, maior alcance e ampliação da rede ajudam a explicar por que o volume de recursos destinados ao programa cresceu.

Para uma comparação totalmente padronizada, o ideal é acompanhar os valores efetivamente executados na ação orçamentária correspondente do programa e corrigir todos os anos pela mesma referência de inflação.


Prevenção ao HIV: mais acesso à PrEP e queda da mortalidade por aids

A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é um medicamento usado por pessoas que não têm HIV para reduzir o risco de infecção antes de uma possível exposição ao vírus. Ela é distribuída gratuitamente pelo SUS e deve ser utilizada com orientação de um profissional de saúde. A PrEP previne o HIV, mas não substitui o preservativo na prevenção de outras infecções sexualmente transmissíveis.

O número de usuários passou de 50,7 mil em 2022 para 104 mil em 2024, mais que o dobro. Em dezembro de 2025, cerca de 140 mil pessoas já utilizavam a PrEP diariamente.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Prevenção ao HIV. Bolsonaro: 50,7 mil usuários de PrEP em 2022; o governo propôs corte de R$ 407 milhões no programa para 2023. Lula 3: 104 mil usuários de PrEP em 2024, ano com a menor mortalidade por aids da série histórica. Destaque: uso da PrEP mais que dobrou no governo Lula. Fonte: Ministério da Saúde, Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2025.

A mortalidade por aids também caiu. Foram registrados 10.500 óbitos em 2023 e 9.157 em 2024, dado ainda preliminar. A taxa recuou de 3,9 para 3,4 mortes por 100 mil habitantes, o menor índice da série histórica.

Essa redução não deve ser atribuída exclusivamente ao governo atual. Ela também reflete décadas de evolução do tratamento antirretroviral. Ao mesmo tempo, políticas de prevenção, diagnóstico e acesso ao tratamento ajudam a ampliar esses resultados.

No campo orçamentário, a proposta de Orçamento para 2023 enviada pelo governo Bolsonaro previa R$ 407 milhões a menos para prevenção, controle e tratamento de HIV/aids, infecções sexualmente transmissíveis e hepatites virais. Segundo levantamento do IEPS, apenas na área de HIV/aids a redução seria de 17,4%. A proposta gerou alertas sobre risco de desabastecimento de medicamentos.

Já em 2023, o governo Lula anunciou R$ 1,7 bilhão para simplificar o tratamento do HIV. Uma das principais mudanças foi a ampliação do uso do comprimido único, que combina lamivudina e dolutegravir e já é utilizado por mais de 225 mil pessoas.

O crescimento do número de usuários da PrEP pode refletir a ampliação da oferta, campanhas de conscientização, maior procura da população e a possibilidade de prescrição por diferentes profissionais de saúde.

Em uma análise Data-Driven, a PrEP é um bom exemplo de indicador de resultado, e não apenas de gasto: ela mostra quantas pessoas passaram a ter acesso efetivo à prevenção. Combinada à queda da mortalidade, indica avanço no controle do HIV no país, ainda que esse avanço resulte de fatores acumulados ao longo de vários anos.


Desmatamento na Amazônia: média anual caiu cerca de 38% entre os dois períodos

O desmatamento na Amazônia Legal é acompanhado oficialmente pelo PRODES, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que mede anualmente a supressão de vegetação nativa na região.

Entre 2019 e 2022, a taxa média anual de desmatamento ficou em aproximadamente 11,4 mil km² por ano. Nesse período, a taxa chegou a 13.038 km² em 2021, o maior nível registrado desde 2006.

Entre 2023 e 2025, a média anual caiu para cerca de 7,1 mil km². Na comparação entre as médias dos dois períodos, isso representa uma redução de aproximadamente 38%.

A trajetória recente mostra queda consecutiva. O PRODES registrou 9.064 km² em 2023, 6.518 km² em 2024 e 5.731 km² em 2025. O resultado consolidado de 2025 foi 12,1% menor que o de 2024 e a terceira menor taxa da série histórica, iniciada em 1988, a menor desde 2014.

Card “Política data driven nas eleições: dados valem mais do que promessas”. Tema: Desmatamento na Amazônia. Bolsonaro: média anual de 11,4 mil km² desmatados entre 2019 e 2022; em 2021, a maior taxa desde 2006. Lula 3: média anual de 7,1 mil km² entre 2023 e 2025, com 5,7 mil km² em 2025. Destaque: desmatamento 38% menor no governo Lula. Fonte: INPE, PRODES, Amazônia Legal.

É importante observar que o PRODES mede o desmatamento entre agosto de um ano e julho do ano seguinte. Assim, a taxa de 2023 inclui cinco meses ainda do governo anterior, de agosto a dezembro de 2022. Mesmo considerando essa sobreposição, a tendência de queda se manteve nos anos seguintes.

A redução ocorre em um período de retomada de políticas federais de prevenção e controle do desmatamento, incluindo o PPCDAm. Ainda assim, uma análise Data-Driven deve evitar atribuir toda a variação a um único fator.

Fiscalização ambiental, aplicação de multas, embargos, condições econômicas, preços de commodities, ocupação territorial, ações dos estados, crédito rural, clima e capacidade de monitoramento também podem influenciar a dinâmica do desmatamento.

O dado objetivo, portanto, é que a área média anual desmatada na Amazônia Legal foi cerca de 38% menor entre 2023 e 2025 do que entre 2019 e 2022.


Política Data-Driven não significa escolher números que confirmam uma opinião

Talvez esse seja o ponto mais importante.

Ser Data-Driven não significa encontrar uma estatística que favoreça aquilo em que já acreditamos. Significa fazer o caminho contrário.

Primeiro vêm os dados, as fontes, a metodologia e o contexto. Depois, a interpretação.

Uma cultura verdadeiramente orientada por dados exige, inclusive, disposição para aceitar números que contrariem nossas próprias expectativas, paixões políticas e ideologias.

No ambiente corporativo, uma campanha que não performa precisa ser revista mesmo que seus criadores gostem dela.

Na política, a lógica deveria ser semelhante. 

Indicadores econômicos e sociais não encerram uma discussão eleitoral. Existem questões sobre educação, saúde, segurança, meio ambiente, democracia, relações internacionais, tributação, contas públicas e inúmeras outras dimensões que também precisam ser avaliadas.

Mas os números oferecem uma base objetiva para começar essa conversa.

Dados não votam. Pessoas votam e precisam ter acesso aos dados

Uma eleição envolve valores, prioridades, expectativas e diferentes visões de sociedade.

Nenhuma planilha consegue decidir tudo isso por alguém.

Mas existe uma diferença importante entre votar a partir de informações verificáveis e decidir apenas a partir de frases repetidas em redes sociais, campanhas ou discursos políticos.

É aqui que o conceito de Política Data-Driven ganha força.

Se empresas utilizam dados para decidir onde investir milhões, quais produtos lançar e quais estratégias abandonar, por que não ampliar essa cultura de análise para decisões coletivas que influenciarão os próximos anos do país?

A proposta não é substituir política por números. É utilizar números para qualificar a política.

Porque, se o discurso confunde, os dados ajudam a esclarecer.

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