O Google Ainda Domina a Busca no Brasil em 2026? Entenda o Muro de Hardware do Android

64% dos brasileiros citam o Google de cabeça, sem lista de opções. Entenda o "Muro de Hardware" do Android que blinda essa liderança e onde ela já racha com a Geração Z.

Escrito por: Rafael Zaia

Publicado em 31/07/20268 min de leitura

Smartphone com busca do Google, mapa do Brasil e mascote Android representando domínio da busca no país

Sim, o Google ainda domina a busca no Brasil — e por uma margem que poucas marcas conseguem alcançar.

O estudo “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, realizado com 1.000 consumidores brasileiros, mostrou que 64% apontam espontaneamente o Google como primeira opção quando precisam pesquisar sobre um produto ou serviço. Como a pergunta foi aberta, sem alternativas de resposta, o dado ajuda a demonstrar a força do Google no hábito de busca, mesmo diante da fragmentação entre redes sociais, marketplaces e ferramentas de IA.

Produzido pela Optimiza Marketing em parceria com a AB Pesquisas, Insights e Tendências, o levantamento ouviu consumidores de todas as regiões do país em dezembro de 2025 e tem margem de erro de 3 pontos percentuais.

Os resultados ajudam a entender o que sustenta essa liderança e onde ela começa a apresentar sinais de mudança ao longo da jornada de busca. Confira, a seguir, alguns pontos importantes sobre esse cenário.

O que os dados dizem sobre o hábito de busca no Brasil em 2026

A pesquisa utilizou duas formas de medição:

  • lembrança espontânea, quando o entrevistado responde livremente, sem receber opções;
  • escolha estimulada, quando recebe uma lista de alternativas e indica quais usaria.

O Google lidera nas duas situações. Isso mostra que sua força não depende apenas da lembrança de marca: ela também se mantém quando outras plataformas são colocadas diretamente na comparação.


Lembrança espontânea: o Google como primeira referência de busca

Quando perguntados, sem receber uma lista de opções, qual plataforma de pesquisa de produtos ou serviços vinha primeiro à mente , 64% dos entrevistados citaram o Google. O Mercado Livre, segundo colocado, recebeu apenas 5% das menções.

A diferença de 59 pontos percentuais mostra que o Google não aparece apenas como mais uma alternativa entre várias. Para a maioria dos entrevistados, ele continua sendo a principal referência quando o assunto é busca.

Essa forma de medição é conhecida como Top of Mind. Sua relevância está justamente em captar a primeira resposta que surge espontaneamente, sem que marcas ou plataformas sejam previamente apresentadas ao participante.

Gráfico comparando lembrança espontânea de busca no Brasil: Google 64%, Mercado Livre 5% e outros 31%

Escolha estimulada: a liderança se mantém diante das alternativas

Quando os participantes receberam uma lista com diferentes plataformas de pesquisa, , como Google, YouTube, marketplaces, Instagram e ferramentas de IA, 72,4% indicaram o Google.

O resultado mostra que essa liderança não depende apenas da lembrança espontânea. Mesmo quando alternativas como ChatGPT, TikTok e marketplaces são apresentadas diretamente, o Google continua ocupando a primeira posição entre as opções consideradas pelos entrevistados.

Gráfico do uso de dispositivos para pesquisar produtos online: 77,7% Android, 12,1% iPhone, 10,1% outros

A combinação das duas medições reforça que o Google é o primeiro nome que surge espontaneamente para grande parte da amostra e amplia sua liderança quando outros canais entram diretamente na comparação.

Isso indica uma preferência consolidada no hábito de busca. O Google não é apenas uma marca amplamente conhecida, mas uma plataforma que continua sendo escolhida mesmo diante do crescimento das redes sociais, dos marketplaces e do uso cada vez maior de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa.

Dimensionando os 64%: como o Google se compara a líderes de outras categorias

Para entender a dimensão dos 64% de lembrança espontânea alcançados pelo Google, vale observar os resultados de categorias tradicionais da pesquisa Folha Top of Mind.

Na edição de 2025, a Vivo recebeu 32% das menções espontâneas na categoria operadora de celular. Entre os eletrodomésticos, a Consul liderou a categoria geladeira com 34%. Já a Samsung alcançou 43% tanto em aparelhos de TV quanto em smartphones e tablets.

Embora cada resultado esteja relacionado a uma categoria específica, a comparação ajuda a dimensionar os 64% registrados pelo Google. Marcas muito consolidadas em seus respectivos mercados apresentaram índices de lembrança espontânea significativamente menores.

No caso do Google, o dado ganha ainda mais relevância porque a pergunta não restringia o entrevistado a uma categoria tradicional de produto. Ele podia citar buscadores, redes sociais, marketplaces, plataformas de vídeo ou ferramentas de IA como primeira referência para pesquisar sobre produtos e serviços.

Por isso, os 64% não representam apenas reconhecimento de marca. O resultado mostra o quanto o Google continua associado, na memória dos entrevistados, ao próprio ato de pesquisar.

O muro de hardware: por que o Android beneficia o Google no Brasil

Boa parte da explicação para esse domínio está fora do algoritmo de busca e dentro do bolso do brasileiro: o aparelho que ele usa para navegar.

A mesma pesquisa perguntou qual dispositivo os entrevistados utilizam com mais frequência para esse tipo de busca. O smartphone Android foi indicado por 77,7% da amostra, enquanto o iPhone apareceu com 12,1%. Notebooks, computadores, tablets e assistentes de voz somaram os 10,1% restantes. 

O dado é relevante porque o Google está integrado ao ecossistema Android. Em muitos aparelhos, o aplicativo, o Chrome e outros pontos de acesso à busca já estão disponíveis desde a configuração inicial, tornando o Google o caminho mais imediato para o usuário.

Gráfico mostrando que 77,7% dos brasileiros usam Android para pesquisar, contra 12,1% iPhone e 10,1% outros dispositivos

Essa conveniência de estar presente de forma nativa no Android favorece a liderança do Google, mas não a explica sozinha. Os dados de lembrança espontânea e escolha estimulada mostram que a plataforma não apenas está disponível nos dispositivos: ela também continua fortemente associada ao ato de pesquisar e é escolhida mesmo quando outras alternativas são apresentadas.

Portanto, sua posição combina uma vantagem estrutural de distribuição com uma preferência já consolidada. O Android não cria sozinho essa preferência, mas facilita a continuidade de um hábito que o Google conquistou ao longo do tempo.

Geração Z: uma jornada de busca mais fragmentada

Entre os mais jovens, o Android continua predominante, mas o iPhone ganha mais espaço do que na média nacional. Entre os entrevistados de 18 a 29 anos, o uso do iPhone chega a 21%, ante 12,1% no total da amostra, uma diferença de 8,9 pontos percentuais e quase o dobro da média dos entrevistados. 

É também nesse grupo que aparece uma maior abertura para pesquisar em diferentes canais, incluindo redes sociais como Instagram e TikTok. Os dados mostram que a predominância do Android e a integração nativa do Google são menos intensas entre os mais jovens
Gráfico comparando uso de iPhone no Brasil: 12,1% na média nacional contra 21% entre 18 e 29 anos

Isso não significa que a Geração Z tenha abandonado o Google. O buscador continua relevante, mas divide mais espaço com plataformas utilizadas para descoberta, inspiração, avaliação e validação de produtos e serviços.

Para marcas que desejam alcançar esse público, uma estratégia concentrada apenas no Google pode não acompanhar toda a jornada. É necessário considerar também redes sociais, vídeos, marketplaces e outros ambientes nos quais os jovens pesquisam, descobrem e formam suas decisões.

O que esses dados significam para a estratégia de SEO

Os dados mostram que abandonar o SEO ou reduzir significativamente sua prioridade para concentrar os esforços em outros canais seria, neste momento, uma decisão estratégica arriscada. O Google continua sendo a primeira referência de busca para grande parte dos consumidores brasileiros, sustentado por uma preferência consolidada e por uma vantagem de distribuição no ecossistema Android.

Isso não significa que o cenário seja estático ou que permanecerá dessa forma. A jornada de busca já está mais fragmentada, e outras plataformas ganham relevância, especialmente entre os públicos mais jovens.

Os resultados também reforçam a importância da experiência mobile. Como o smartphone Android é o principal dispositivo utilizado para pesquisar produtos e serviços entre os participantes, velocidade de carregamento, estabilidade visual, navegação simples e boa usabilidade nesse ambiente deixam de ser apenas boas práticas técnicas de SEO e passam a ter impacto direto na estratégia.

A leitura mais precisa dos dados é que o Google continua sendo o principal ambiente de busca no Brasil e deve permanecer como prioridade estratégica. Ao mesmo tempo, segmentar a atuação por geração, dispositivo, intenção e etapa da jornada deixou de ser opcional para quem deseja alcançar o consumidor em diferentes pontos de contato — e não apenas na parcela majoritária das buscas.


Perguntas frequentes

O Google realmente ainda domina a busca no Brasil em 2026?

Sim. Segundo o estudo “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, 64% dos entrevistados citaram espontaneamente o Google como primeira plataforma para pesquisar produtos ou serviços. Na medição estimulada, quando outras alternativas foram apresentadas, 72,4% também indicaram o Google.

Por que o Android favorece o Google no Brasil?

Porque o Google está integrado à experiência padrão de muitos aparelhos Android, por meio do aplicativo de busca, do Chrome e de outros pontos de acesso disponíveis desde a configuração inicial.

Na pesquisa, 77,7% dos participantes apontaram o smartphone Android como o dispositivo utilizado com maior frequência para pesquisar produtos e serviços online. Essa presença nativa reduz o esforço necessário para continuar usando o Google e ajuda a reforçar um hábito já consolidado.

A jornada de pesquisa da Geração Z pesquisa diferente das demais gerações?

Os dados indicam uma jornada mais fragmentada entre os jovens. Entre os entrevistados de 18 a 29 anos, o uso do iPhone chega a 21%, diante de 12,1% na média geral.

Nesse grupo, redes sociais como Instagram e TikTok também ganham mais espaço como ambientes de descoberta e pesquisa. Isso não significa que a Geração Z tenha abandonado o Google, mas que o buscador divide mais atenção com outros canais ao longo da jornada.


Ainda vale a pena priorizar o SEO voltado ao Google?

Sim. Os resultados mostram que o Google continua sendo a principal referência de busca para grande parte dos consumidores brasileiros. Abandonar o SEO ou reduzir significativamente sua prioridade seria, neste momento, uma decisão estratégica arriscada.

A estratégia mais adequada é manter o Google como um dos principais pilares de visibilidade orgânica e, ao mesmo tempo, ampliar a presença da marca em redes sociais, marketplaces, vídeos e ferramentas de Inteligência Artificial Generativa.


Fontes e referências

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