Sim, o Google ainda domina a busca no Brasil — e por uma margem que poucas marcas conseguem alcançar.
O estudo “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, realizado com 1.000 consumidores brasileiros, mostrou que 64% apontam espontaneamente o Google como primeira opção quando precisam pesquisar sobre um produto ou serviço.
Como a pergunta foi aberta, sem alternativas de resposta, o dado ajuda a demonstrar a força do Google no hábito de busca, mesmo diante da fragmentação entre redes sociais, marketplaces e ferramentas de IA.
Produzido pela Optimiza Marketing em parceria com a AB Pesquisas, Insights e Tendências, o levantamento ouviu consumidores de todas as regiões do país em dezembro de 2025 e tem margem de erro de 3 pontos percentuais.
Os resultados ajudam a entender o que sustenta essa liderança e onde ela começa a apresentar sinais de mudança ao longo da jornada de busca. Confira, a seguir, alguns pontos importantes sobre esse cenário.
O que os dados dizem sobre o hábito de busca no Brasil em 2026
A pesquisa utilizou duas formas de medição:
- Lembrança espontânea: quando o entrevistado responde livremente, sem receber opções;
- Escolha estimulada: quando recebe uma lista de alternativas e indica quais usaria.
O Google lidera nas duas situações. Isso mostra que sua força não depende apenas da lembrança de marca: ela também se mantém quando outras plataformas são colocadas diretamente na comparação.
Lembrança espontânea: o Google como primeira referência de busca
Quando perguntados, sem receber uma lista de opções, qual plataforma de pesquisa de produtos ou serviços vinha primeiro à mente, 64% dos entrevistados citaram o Google. O Mercado Livre, segundo colocado, recebeu apenas 5% das menções.
A diferença de 59 pontos percentuais mostra que o Google não aparece apenas como mais uma alternativa entre várias. Para a maioria dos entrevistados, ele continua sendo a principal referência quando o assunto é busca.
Essa forma de medição é conhecida como Top of Mind. Sua relevância está justamente em captar a primeira resposta que surge espontaneamente, sem que marcas ou plataformas sejam previamente apresentadas ao participante.
Escolha estimulada: a liderança se mantém diante das alternativas
Quando os participantes receberam uma lista com diferentes plataformas de pesquisa, como Google, YouTube, marketplaces, Instagram e ferramentas de IA, 72,4% indicaram o Google.
O resultado mostra que essa liderança não depende apenas da lembrança espontânea. Mesmo quando alternativas como ChatGPT, TikTok e marketplaces são apresentadas diretamente, o Google continua ocupando a primeira posição entre as opções consideradas pelos entrevistados.
A combinação das duas medições reforça que o Google é o primeiro nome que surge espontaneamente para grande parte da amostra e amplia sua liderança quando outros canais entram diretamente na comparação.
Isso indica uma preferência consolidada no hábito de busca. O Google não é apenas uma marca amplamente conhecida, mas uma plataforma que continua sendo escolhida mesmo diante do crescimento das redes sociais, dos marketplaces e do uso cada vez maior de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa.
Dimensionando os 64%: como o Google se compara a líderes de outras categorias
Para entender a dimensão dos 64% de lembrança espontânea alcançados pelo Google, vale observar os resultados de categorias tradicionais da pesquisa Folha Top of Mind.
Na edição de 2025:
- Vivo: 32% das menções espontâneas na categoria operadora de celular;
- Consul: 34% na categoria geladeira;
- Samsung: 43% em aparelhos de TV;
- Samsung: 43% em smartphones e tablets.
Embora cada resultado esteja relacionado a uma categoria específica, a comparação ajuda a dimensionar os 64% registrados pelo Google. Marcas muito consolidadas em seus respectivos mercados apresentaram índices de lembrança espontânea significativamente menores.
No caso do Google, o dado ganha ainda mais relevância porque a pergunta não restringia o entrevistado a uma categoria tradicional de produto. Ele podia citar buscadores, redes sociais, marketplaces, plataformas de vídeo ou ferramentas de IA como primeira referência para pesquisar sobre produtos e serviços.
Por isso, os 64% não representam apenas reconhecimento de marca. O resultado mostra o quanto o Google continua associado, na memória dos entrevistados, ao próprio ato de pesquisar.
O muro de hardware: por que o Android beneficia o Google no Brasil
Boa parte da explicação para esse domínio está fora do algoritmo de busca e dentro do bolso do brasileiro: o aparelho que ele usa para navegar.
A mesma pesquisa perguntou qual dispositivo os entrevistados utilizam com mais frequência para esse tipo de busca. O smartphone Android foi indicado por 77,7% da amostra, enquanto o iPhone apareceu com 12,1%. Notebooks, computadores, tablets e assistentes de voz somaram os 10,1% restantes.
O dado é relevante porque o Google está integrado ao ecossistema Android. Em muitos aparelhos, o aplicativo, o Chrome e outros pontos de acesso à busca já estão disponíveis desde a configuração inicial, tornando o Google o caminho mais imediato para o usuário.
Essa conveniência de estar presente de forma nativa no Android favorece a liderança do Google, mas não a explica sozinha. Os dados de lembrança espontânea e escolha estimulada mostram que a plataforma não apenas está disponível nos dispositivos: ela também continua fortemente associada ao ato de pesquisar e é escolhida mesmo quando outras alternativas são apresentadas.
Portanto, sua posição combina uma vantagem estrutural de distribuição com uma preferência já consolidada. O Android não cria sozinho essa preferência, mas facilita a continuidade de um hábito que o Google conquistou ao longo do tempo.
Geração Z: uma jornada de busca mais fragmentada
Entre os mais jovens, o Android continua predominante, mas o iPhone ganha mais espaço do que na média nacional.
Entre os entrevistados de 18 a 29 anos, o uso do iPhone chega a 21%, ante 12,1% no total da amostra, uma diferença de 8,9 pontos percentuais e quase o dobro da média dos entrevistados.
É também nesse grupo que aparece uma maior abertura para pesquisar em diferentes canais, incluindo redes sociais como Instagram e TikTok. Os dados mostram que a predominância do Android e a integração nativa do Google são menos intensas entre os mais jovens.
Isso não significa que a Geração Z tenha abandonado o Google. O buscador continua relevante, mas divide mais espaço com outras plataformas utilizadas para descoberta, inspiração, avaliação e validação de produtos e serviços.
Para marcas que desejam alcançar esse público, uma estratégia concentrada apenas no Google pode não acompanhar toda a jornada.
É necessário considerar também:
- redes sociais;
- vídeos;
- marketplaces;
- outros ambientes nos quais os jovens pesquisam, descobrem e formam suas decisões.
O que esses dados significam para a estratégia de SEO
Os dados mostram que abandonar o SEO ou reduzir significativamente sua prioridade para concentrar os esforços em outros canais seria, neste momento, uma decisão estratégica arriscada.
O Google continua sendo a primeira referência de busca para grande parte dos consumidores brasileiros, sustentado por uma preferência consolidada e por uma vantagem de distribuição no ecossistema Android.
Isso não significa que o cenário seja estático ou que permanecerá dessa forma. A jornada de busca já está mais fragmentada, e outras plataformas ganham relevância, especialmente entre os públicos mais jovens.
Os resultados também reforçam a importância da experiência mobile. Como o smartphone Android é o principal dispositivo utilizado para pesquisar produtos e serviços entre os participantes, velocidade de carregamento, estabilidade visual, navegação simples e boa usabilidade nesse ambiente deixam de ser apenas boas práticas técnicas de SEO e passam a ter impacto direto na estratégia.
A leitura mais precisa dos dados é que o Google continua sendo o principal ambiente de busca no Brasil e deve permanecer como prioridade estratégica.
Ao mesmo tempo, segmentar a atuação por geração, dispositivo, intenção e etapa da jornada deixou de ser opcional para quem deseja alcançar o consumidor em diferentes pontos de contato — e não apenas na parcela majoritária das buscas.

