Consumidores circulam cada vez mais entre diferentes canais e plataformas, como mecanismos de busca, Inteligência Artificial, redes sociais, marketplaces, avaliações e sites. Essa distribuição transforma a jornada digital e redefine o papel do Google.
Segundo “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, a presença de novos ambientes de pesquisa não significa necessariamente abandono do buscador. Os dados mostram uma jornada mais fragmentada, na qual diferentes plataformas podem exercer funções distintas em momentos diferentes.
O consumidor pode descobrir uma marca em uma rede social, pesquisar mais informações no Google, consultar avaliações, visitar um marketplace, recorrer a uma ferramenta de Inteligência Artificial e acessar o site oficial antes de tomar uma decisão.
O ponto central, portanto, deixa de ser perguntar qual plataforma vai substituir a outra. A questão mais relevante passa a ser entender como cada ambiente participa da jornada.
Mais plataformas e canais significam menos Google?
Não necessariamente. O crescimento de novos canais e plataformas amplia as possibilidades de descoberta, pesquisa e validação, mas isso não significa que o Google deixe automaticamente de fazer parte da jornada.
O próprio estudo mostra que 48,9% dos consumidores afirmam utilizar mais o Google do que no ano anterior, enquanto 34% mantiveram a mesma frequência e 17,1% declararam usar menos.
Esse cenário indica que a expansão de novas alternativas pode acontecer ao mesmo tempo em que o buscador continua relevante.
Em vez de uma substituição linear, o comportamento aponta para uma redistribuição da atenção.
Como a jornada de busca está se tornando mais distribuída?
Durante muito tempo, a jornada digital foi analisada de maneira relativamente linear. O consumidor pesquisava uma necessidade, encontrava opções, comparava alternativas e avançava para uma decisão.
Hoje, esse percurso pode envolver diferentes ambientes. Uma mesma pessoa pode:
- descobrir um produto em uma rede social;
- pesquisar a marca no Google;
- consultar avaliações;
- comparar preços em marketplaces;
- utilizar Inteligência Artificial para esclarecer dúvidas;
- acessar o site oficial para validar informações;
- retornar a outro canal antes de decidir.
A jornada deixa de funcionar como uma sequência rígida e passa a se comportar como uma rede de pontos de contato.
Qual é o papel do Google nessa nova jornada?
O Google continua podendo exercer diferentes funções ao longo do processo de decisão. Ele pode ser utilizado para descoberta, aprofundamento, comparação, validação de informações, pesquisa de marca ou acesso a fontes específicas.
Mesmo quando a jornada começa em outro ambiente, o buscador pode aparecer posteriormente.
Uma pessoa que descobre uma empresa pelo Instagram, TikTok, YouTube ou marketplace pode recorrer ao Google para verificar sua reputação, encontrar seu site oficial, pesquisar avaliações ou comparar alternativas.
Por isso, analisar apenas o primeiro ponto de contato pode gerar uma visão incompleta sobre a influência real de cada canal.
As redes sociais estão substituindo os mecanismos de busca?
As redes sociais conquistaram um papel importante na descoberta de produtos, serviços, tendências e marcas.
Seu formato visual, velocidade de consumo e sistemas de recomendação facilitam o contato com informações que o usuário nem sempre estava procurando ativamente.
Mas descoberta e pesquisa não são necessariamente a mesma coisa. Um conteúdo visual pode despertar interesse, enquanto outros canais são utilizados posteriormente para aprofundar a informação e reduzir incertezas.
Isso significa que redes sociais e mecanismos de busca podem participar de momentos diferentes da mesma jornada.
Os marketplaces mudaram o comportamento de busca?
Sim. Marketplaces passaram a exercer um papel importante principalmente quando o consumidor já está mais próximo de comparar alternativas ou concluir uma compra.
Além de oferecer produtos, esses ambientes concentram preços, avaliações, disponibilidade, informações comerciais e diferentes vendedores.
Em determinadas categorias, o marketplace pode funcionar simultaneamente como mecanismo de descoberta, comparação e conversão.
Isso amplia a competição pela atenção do consumidor, mas não elimina necessariamente a participação do Google.
Uma jornada pode começar em um marketplace, passar pelo buscador e retornar ao ambiente de compra, ou acontecer na direção contrária.
Qual é o papel da Inteligência Artificial nessa fragmentação?
A Inteligência Artificial adiciona uma nova camada à jornada. Ferramentas generativas permitem que o consumidor formule perguntas mais complexas, solicite comparações, organize informações e receba respostas sintetizadas.
Isso pode reduzir a necessidade de realizar determinadas pesquisas tradicionais, especialmente quando o objetivo é obter uma resposta direta.
Por outro lado, respostas geradas por IA também podem levar o usuário a procurar fontes, marcas, especialistas ou páginas específicas para validar e aprofundar a informação.
Portanto, Inteligência Artificial e mecanismos de busca podem atuar de maneira complementar.
Avaliações e sites oficiais continuam importantes?
Sim. Quanto mais distribuída se torna a jornada, maior a importância de pontos de validação. Avaliações ajudam o consumidor a entender experiências anteriores, identificar padrões e reduzir incertezas.
Já o site oficial funciona como uma fonte primária da marca, concentrando informações institucionais, produtos, serviços, diferenciais, políticas e canais de contato.
Em uma jornada fragmentada, consistência entre esses ambientes passa a ser fundamental.
Informações divergentes sobre preço, localização, características, disponibilidade, reputação ou posicionamento podem aumentar o atrito e reduzir a confiança.
O consumidor está abandonando jornadas lineares?
Cada vez mais, sim. A jornada digital atual pode incluir idas e vindas entre diferentes ambientes.
O consumidor não necessariamente passa de descoberta para consideração e depois para decisão seguindo uma ordem previsível. Ele pode voltar a pesquisar, consultar novas fontes, comparar opiniões e reavaliar alternativas antes de avançar.
Esse comportamento torna mais difícil atribuir toda a influência a um único canal. Também aumenta a importância de compreender o papel de cada ponto de contato na decisão.
O que essa mudança significa para o SEO?
SEO continua sendo necessário porque os mecanismos de busca seguem desempenhando um papel importante na jornada.
Mas uma estratégia baseada apenas em posições no Google pode deixar de enxergar parte do comportamento do consumidor.
A presença orgânica deve ser analisada dentro de um ecossistema maior. Isso envolve compreender como páginas, conteúdos e entidades da marca podem ser encontradas, interpretadas e validadas em diferentes ambientes.
O desafio deixa de ser apenas conquistar uma posição e passa a incluir a capacidade de permanecer relevante ao longo de uma jornada distribuída.
Como GEO e AEO entram nesse cenário?
O crescimento de ferramentas generativas amplia a necessidade de estruturar uma presença digital que possa ser compreendida também por sistemas de Inteligência Artificial.
SEO fortalece a presença na busca. GEO amplia o potencial de presença em respostas generativas. AEO prepara a marca para ser compreendida em diferentes ambientes de Inteligência Artificial.
Essas frentes não substituem umas às outras. Elas fazem parte de uma estratégia mais ampla de presença digital.
GEO e AEO não são uma ação isolada. Exigem integração entre tecnologia, conteúdo, autoridade e dados.
Quanto mais distribuída a jornada, maior a necessidade de trabalhar consistência de informações, autoridade, entidades, conteúdo, referências externas e estrutura técnica.
As marcas devem estar presentes em todos os canais?
Não necessariamente. A fragmentação da jornada não significa que toda empresa precise estar em todas as plataformas disponíveis.
O objetivo deve ser identificar quais ambientes realmente participam do processo de descoberta, comparação, validação e decisão do seu público.
Uma presença ampla, mas mal executada, pode gerar menos resultado do que uma estratégia concentrada nos canais que realmente influenciam a jornada.
A decisão deve ser baseada em comportamento, dados e relevância estratégica.
Como as empresas devem responder a uma jornada mais fragmentada?
O primeiro passo é deixar de analisar cada canal de forma isolada. Em uma jornada distribuída, a estratégia precisa integrar presença orgânica, conteúdo, autoridade, tecnologia, mídia e dados.
Uma atuação mais consistente deve:
- mapear os principais pontos de contato da jornada;
- identificar onde o consumidor descobre, pesquisa, compara e valida informações;
- fortalecer SEO e presença orgânica;
- preparar conteúdos para ambientes de Inteligência Artificial;
- trabalhar reputação e avaliações;
- manter informações consistentes entre canais e plataformas;
- integrar conteúdo, mídia, tecnologia e dados;
- mensurar a contribuição dos diferentes pontos de contato para a jornada.
O objetivo não é escolher um único vencedor. É construir uma presença integrada capaz de reduzir pontos cegos ao longo da jornada e acompanhar o consumidor entre diferentes canais, plataformas e momentos de decisão.
Mais canais significam uma jornada mais complexa
A expansão de plataformas e canais não significa necessariamente menos Google. Ela significa uma jornada mais distribuída.
O consumidor ganhou novas formas de descobrir, pesquisar, comparar e validar informações e passou a alternar entre diferentes ambientes conforme sua necessidade.
Nesse cenário, o Google continua relevante, mas deixa de operar de maneira isolada.
Para as marcas, a vantagem passa a estar na capacidade de construir uma presença consistente, confiável e conectada entre busca, Inteligência Artificial, redes sociais, marketplaces, avaliações e canais próprios.
Quanto mais fragmentada se torna a jornada, menos sentido faz depender de um único ponto de contato.
Perguntas frequentes
Mais plataformas significam menos uso do Google?
Não necessariamente. O crescimento de novos canais pode ampliar a jornada sem eliminar o uso do Google. Um mesmo consumidor pode utilizar diferentes plataformas em momentos distintos.
Quais canais podem participar da jornada de busca?
Mecanismos de busca, ferramentas de Inteligência Artificial, redes sociais, marketplaces, avaliações, vídeos e sites próprios podem participar de diferentes etapas da jornada.
As redes sociais estão substituindo o Google?
Não necessariamente. Redes sociais podem ser muito relevantes para descoberta e conteúdo visual, enquanto mecanismos de busca podem continuar sendo utilizados para aprofundamento, comparação e validação.
A Inteligência Artificial pode substituir as buscas tradicionais?
Em algumas necessidades específicas, a IA pode reduzir etapas de pesquisa. Porém, ferramentas generativas e mecanismos de busca também podem ser utilizados de maneira complementar.
SEO continua importante em uma jornada mais fragmentada?
Sim. SEO continua fortalecendo a presença da marca nos mecanismos de busca, mas deve fazer parte de uma estratégia mais ampla que considere também GEO, AEO, autoridade, conteúdo e outros pontos de contato.
Uma empresa precisa estar presente em todas as plataformas?
Não. O mais importante é identificar quais canais realmente influenciam o público da marca e concentrar esforços onde existe relevância para descoberta, pesquisa, validação e conversão.

