9 em cada 10 brasileiros pesquisam produtos pelo celular

Pesquisa com 1.000 consumidores mostra que 89,8% utilizam os celulares como principal dispositivo para pesquisar produtos e serviços online. Entenda o que essa realidade mobile-first exige das marcas.

Escrito por: Rafael Zaia

Publicado em 06/09/202610 min de leitura

Smartphone com vitrine de produtos representa o uso do celular pelos brasileiros para pesquisar produtos e serviços online.

O smartphone é o principal dispositivo utilizado para pesquisar produtos e serviços online por aproximadamente 9 em cada 10 brasileiros. O dado confirma que a jornada de compra no Brasil precisa ser planejada a partir da experiência mobile, e não apenas adaptada para ela depois que o site, o conteúdo ou a campanha já foram desenvolvidos.

De acordo com “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, o estudo foi desenvolvido pela Optimiza Marketing em parceria com a AB Pesquisas, Insights e Tendências e entrevistou 1.000 consumidores brasileiros com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país, em dezembro de 2025. A pesquisa apresenta margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

O estudo mostra que 77,7% dos entrevistados declararam utilizar com mais frequência um smartphone Android para pesquisar produtos e serviços, contra 12,1% que apontaram utilizar o iPhone.

Somados, os dois sistemas representam 89,8% da amostra. Notebook, desktop, tablet e assistentes de voz dividem aproximadamente os 10% restantes.

O resultado não significa apenas que o brasileiro acessa a internet pelo celular. Ele mostra que o smartphone se tornou o principal ambiente para descobrir produtos, esclarecer dúvidas, comparar alternativas, consultar avaliações e avançar na decisão de compra.

Para as marcas, a consequência é direta: uma experiência mobile lenta, confusa ou incompleta não representa apenas um problema técnico. Ela compromete o principal ponto de contato com o consumidor.

O que a pesquisa mediu sobre a busca pelo celular?

A pergunta apresentada aos participantes foi: “Qual dispositivo você utiliza com mais frequência para pesquisar sobre produtos/serviços online?”, e as respostas obtidas foram:

  • Smartphone Android: 77,7%;
  • Smartphone iPhone: 12,1%;
  • Notebook: 6,5%;
  • Desktop: 3%;
  • Tablet: 0,4%;
  • Assistente de voz: 0,2%.
Smartphone aparece como principal dispositivo utilizado para pesquisar produtos e serviços online.

É importante interpretar o dado corretamente. A pesquisa não contabilizou cada busca realizada em cada aparelho. Ela identificou qual dispositivo os participantes utilizam com maior frequência nesse tipo de pesquisa.

Por isso, a conclusão tecnicamente adequada é que 89,8% dos entrevistados têm o smartphone como dispositivo principal para buscar informações sobre produtos e serviços online.

Ainda assim, a concentração é expressiva. A soma de notebook e desktop chega a 9,5%, enquanto tablets e assistentes de voz permanecem residuais.

Por que o celular deixou de ser uma tela secundária?

Durante muito tempo, empresas trataram o celular como uma versão reduzida da experiência desenvolvida para computadores. Primeiro, construía-se o site para desktop. Depois, elementos eram reorganizados para caber em uma tela menor.

Os dados mostram por que essa lógica está ultrapassada. Se quase 90% dos consumidores utilizam o smartphone com maior frequência para pesquisar produtos e serviços, o mobile passa a ser o ambiente principal. É nele que muitas pessoas terão o primeiro contato com uma marca, interpretarão sua proposta, verificarão informações e decidirão se vale a pena continuar a jornada.

Isso muda a prioridade do planejamento. Textos, imagens, menus, formulários, comparadores, avaliações e chamadas para ação precisam ser concebidos para o contexto real de uso do celular.

Nesse ambiente, a atenção é fragmentada, a área visível é menor e a conexão pode variar. Ao mesmo tempo, o consumidor alterna rapidamente entre mecanismos de busca, redes sociais, vídeos, ferramentas de Inteligência Artificial, sites oficiais e marketplaces.

Uma página que exige esforço excessivo perde competitividade antes mesmo de o usuário avaliar plenamente a oferta.

Android concentra a maior parte da pesquisa mobile no Brasil

O Android foi apontado como principal dispositivo de busca por 77,7% dos entrevistados. O iPhone apareceu com 12,1%.

Diversidade de aparelhos Android evidencia diferenças de desempenho, conexão e experiência na pesquisa mobile.

Essa diferença ajuda a dimensionar o perfil tecnológico do mercado brasileiro, mas não deve ser interpretada como uma disputa simplista entre sistemas operacionais. Para marketing e experiência digital, o ponto mais importante é a diversidade de aparelhos, tamanhos de tela, capacidades de processamento e condições de conexão existentes dentro do próprio ecossistema Android.

Um site pode apresentar bom desempenho em um aparelho recente e ainda oferecer uma experiência lenta ou instável em dispositivos intermediários e de entrada. Da mesma forma, imagens muito pesadas, scripts desnecessários e interfaces complexas podem gerar impactos diferentes conforme o hardware utilizado.

O planejamento mobile precisa considerar essa heterogeneidade. Não basta testar uma página em um único aparelho ou em uma conexão rápida. É necessário avaliar carregamento, estabilidade visual, legibilidade e facilidade de interação em cenários mais próximos da realidade do público.

O tema do Android também se relaciona ao hábito de uso do Google, mas esse recorte já é desenvolvido no artigo “O Google ainda domina as buscas no Brasil em 2026?”. Neste artigo, a questão central é outra: o celular é o espaço prioritário da jornada comercial, independentemente da plataforma escolhida em cada etapa.

A Geração Z apresenta uma composição diferente de dispositivos?

Sim. Entre os consumidores de 18 a 29 anos, o uso do iPhone como principal dispositivo sobe para 21%, quase o dobro dos 12,1% observados na média geral.

O recorte não elimina a predominância do smartphone nem transforma o iPhone no aparelho majoritário entre os mais jovens. Ele indica, porém, que a composição de dispositivos varia conforme o perfil do público.

Comparação mostra o iPhone como principal dispositivo para 12,1% da média geral e 21% dos consumidores de 18 a 29 anos.

Essa diferença pode influenciar hábitos, interfaces disponíveis e formas de circular entre aplicativos. A própria pesquisa mostra uma jornada cada vez mais fragmentada, na qual redes sociais, vídeos, marketplaces, Google e ferramentas de IA ocupam funções diferentes.

Para marcas voltadas a públicos mais jovens, analisar apenas a média nacional pode esconder comportamentos relevantes. A estratégia precisa considerar idade, renda, repertório digital, contexto de uso e canais mais presentes na jornada de cada segmento.

Esse recorte geracional merece um artigo próprio. Nele, será possível aprofundar como Geração Z, TikTok, Instagram, iPhone e novas interfaces participam da busca sem transformar uma diferença de afinidade em uma suposta substituição completa dos mecanismos tradicionais.

Como o smartphone reorganiza a jornada de compra?

No celular, a jornada tende a acontecer por movimentos rápidos entre diferentes ambientes. O consumidor pode descobrir um produto em uma rede social, procurar avaliações, consultar o Google, comparar alternativas em um marketplace, visitar o site oficial e retomar a decisão em outro momento.

Essa circulação reforça uma das conclusões centrais de “O Mapa da Busca no Brasil 2026”: a busca não foi simplesmente transferida de uma plataforma para outra. Suas funções foram redistribuídas.

O Google permanece como referência de pesquisa e validação. Marketplaces concentram descoberta, comparação e finalização. Redes sociais contribuem para repertório e influência. A IA ajuda a organizar informações e reduzir dúvidas. E o celular conecta todos esses ambientes e reduz o intervalo entre eles.

Smartphone conecta redes sociais, avaliações, Google, marketplaces, site oficial e IA durante a jornada de compra.

Por isso, a marca não pode avaliar sua presença digital apenas pelo desempenho isolado de um canal. Ela precisa observar se as informações permanecem claras, consistentes e reconhecíveis durante toda a jornada.

O artigo “Marketplaces já superam o Google na descoberta de produtos online” mostra como plataformas de comércio concentram etapas importantes desse percurso. Já “Jornada de compra: avaliações influenciam mais que os influenciadores” aprofunda o papel da prova social na decisão.

Em ambos os casos, a experiência acontece predominantemente em uma tela pequena, tocada com os dedos e utilizada em contextos de atenção limitada.

O que muda para o SEO em uma jornada mobile-first?

SEO mobile não significa apenas garantir que o layout seja responsivo. A otimização precisa unir rastreamento, indexação, desempenho, conteúdo e experiência.

Alguns pontos ganham prioridade:

  • carregamento rápido em redes móveis;
  • estabilidade visual durante a abertura da página;
  • botões e links com áreas de toque adequadas;
  • fontes legíveis sem necessidade de ampliar a tela;
  • hierarquia clara de títulos e informações;
  • conteúdo principal acessível sem obstáculos;
  • imagens dimensionadas e compactadas corretamente;
  • menus simples e previsíveis;
  • formulários curtos e fáceis de preencher;
  • dados estruturados coerentes com o conteúdo visível;
  • compatibilidade com diferentes tamanhos de tela;
  • redução de scripts que não contribuem para a tarefa do usuário.
SEO mobile integra rastreamento, indexação, performance, conteúdo e experiência, indo além do layout responsivo.

Também é necessário considerar a intenção. Quem pesquisa pelo celular pode precisar de uma resposta rápida, mas isso não significa necessariamente que deseja um conteúdo superficial.

O usuário pode buscar especificações técnicas, avaliações, comparações, condições de entrega, localização, disponibilidade ou formas de contato. A página precisa entregar essas informações com clareza e permitir que sejam encontradas sem esforço.

Em um ambiente mobile, organização é tão importante quanto profundidade.

Velocidade é suficiente para garantir uma boa experiência?

Não. Velocidade é essencial, mas não resolve sozinha uma experiência mal planejada.

Uma página pode carregar rapidamente e ainda apresentar textos pequenos, excesso de elementos, menus confusos ou chamadas para ação pouco claras. Também pode obter boas métricas técnicas e falhar na tarefa que levou o consumidor até ali.

A experiência mobile precisa combinar desempenho e utilidade. Isso significa responder, de forma objetiva:

  • o que está sendo oferecido?
  • para quem a solução é indicada?
  • quais são suas características?
  • por que a marca é confiável?
  • como comparar alternativas?
  • qual é o próximo passo?
  • como tirar uma dúvida ou entrar em contato?

Quanto menor a tela, mais importante se torna a hierarquia. Informações secundárias não precisam desaparecer, mas devem ocupar o lugar correto e não competir com o conteúdo decisivo.

O que isso muda para conversão e geração de leads?

Se o smartphone é o dispositivo principal da pesquisa, formulários, páginas de produto, botões de contato e processos de compra também precisam partir do mobile.

Cada etapa adicional aumenta a possibilidade de abandono. Campos desnecessários, erros de preenchimento pouco claros, teclado inadequado, botões pequenos e páginas que recarregam sem preservar informações criam fricção.

Comparação entre uma jornada mobile com passos desnecessários e uma experiência otimizada com praticidade e possibilidade de conversão.

Para e-commerces, é fundamental facilitar a consulta a preço, disponibilidade, entrega, avaliações e características do produto. Para empresas de serviço, o usuário precisa compreender rapidamente a oferta e encontrar uma forma simples de avançar, seja por formulário, telefone, WhatsApp ou agendamento.

Isso não significa eliminar contexto para tornar tudo curto. Significa organizar a informação conforme sua importância e reduzir obstáculos entre a dúvida e a ação.

Como as marcas devem responder ao comportamento mobile-first?

O primeiro passo é deixar de tratar o mobile como uma verificação realizada no final do projeto. Uma estratégia consistente deve:

  • mapear as principais intenções de busca do público;
  • identificar quais informações influenciam a decisão;
  • priorizar essas informações na primeira experiência mobile;
  • testar páginas em diferentes aparelhos e velocidades de conexão;
  • avaliar métricas técnicas e comportamentais em conjunto;
  • simplificar navegação, formulários e chamadas para ação;
  • manter consistência entre Google, site, redes sociais, IA e marketplaces;
  • revisar continuamente conteúdos e páginas com base em dados reais.

O objetivo não é apenas fazer uma página “caber” no celular. É permitir que o consumidor pesquise, compreenda, compare, valide e avance com o mínimo possível de atrito.

O celular é o centro da busca comercial no Brasil

O dado de 89,8% revela mais do que uma preferência de dispositivo. Ele mostra onde a experiência de pesquisa precisa funcionar primeiro.

Android e iPhone concentram quase nove em cada dez respostas quando o consumidor indica o aparelho que utiliza com mais frequência para buscar produtos e serviços. Notebook e desktop continuam relevantes em determinados contextos, mas já não representam o ambiente principal para a maioria dos brasileiros.

Isso exige uma mudança de perspectiva. A estratégia digital não deve começar no desktop e terminar em uma adaptação responsiva. Ela precisa nascer mobile, considerar limitações reais de hardware e conexão e acompanhar uma jornada que circula entre plataformas.

Marcas que compreendem esse comportamento não apenas melhoram páginas. Elas aumentam sua capacidade de serem encontradas, entendidas e escolhidas no dispositivo em que a decisão já está acontecendo.

Perguntas frequentes

Quantos brasileiros pesquisam produtos pelo celular?

De acordo com “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, 89,8% dos entrevistados declararam utilizar um smartphone Android ou iPhone com maior frequência para pesquisar produtos e serviços online.

A pesquisa afirma que 89,8% de todas as buscas acontecem no celular?

Não. O levantamento perguntou qual dispositivo cada participante utiliza com maior frequência. Portanto, o dado representa a parcela de consumidores que indicou o smartphone como dispositivo principal, e não a participação do celular no volume total de buscas realizadas.

Qual sistema é mais utilizado para pesquisar produtos no Brasil?

O smartphone Android foi indicado por 77,7% dos entrevistados. O iPhone foi apontado por 12,1%.

O uso do iPhone é maior entre a Geração Z?

Sim. Entre os participantes de 18 a 29 anos, o iPhone alcança 21% como principal dispositivo, acima dos 12,1% registrados na média da amostra.

Ter um site responsivo é suficiente para atender ao consumidor mobile?

Não. Além de se adaptar ao tamanho da tela, o site precisa oferecer velocidade, estabilidade, legibilidade, navegação simples, áreas de toque adequadas, conteúdo bem organizado e processos de conversão sem fricção.

O que é uma estratégia mobile-first?

É uma abordagem em que conteúdo, arquitetura, navegação e conversão são planejados primeiro para a experiência no celular e depois expandidos para telas maiores.

Próximo passo

Quer aplicar essas estratégias na sua empresa?

Solicite um diagnóstico personalizado e descubra oportunidades reais de evolução da performance digital do seu negócio.

Continue lendo