O smartphone é o principal dispositivo utilizado para pesquisar produtos e serviços online por aproximadamente 9 em cada 10 brasileiros. O dado confirma que a jornada de compra no Brasil precisa ser planejada a partir da experiência mobile, e não apenas adaptada para ela depois que o site, o conteúdo ou a campanha já foram desenvolvidos.
De acordo com “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, o estudo foi desenvolvido pela Optimiza Marketing em parceria com a AB Pesquisas, Insights e Tendências e entrevistou 1.000 consumidores brasileiros com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país, em dezembro de 2025. A pesquisa apresenta margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O estudo mostra que 77,7% dos entrevistados declararam utilizar com mais frequência um smartphone Android para pesquisar produtos e serviços, contra 12,1% que apontaram utilizar o iPhone.
Somados, os dois sistemas representam 89,8% da amostra. Notebook, desktop, tablet e assistentes de voz dividem aproximadamente os 10% restantes.
O resultado não significa apenas que o brasileiro acessa a internet pelo celular. Ele mostra que o smartphone se tornou o principal ambiente para descobrir produtos, esclarecer dúvidas, comparar alternativas, consultar avaliações e avançar na decisão de compra.
Para as marcas, a consequência é direta: uma experiência mobile lenta, confusa ou incompleta não representa apenas um problema técnico. Ela compromete o principal ponto de contato com o consumidor.
O que a pesquisa mediu sobre a busca pelo celular?
A pergunta apresentada aos participantes foi: “Qual dispositivo você utiliza com mais frequência para pesquisar sobre produtos/serviços online?”, e as respostas obtidas foram:
- Smartphone Android: 77,7%;
- Smartphone iPhone: 12,1%;
- Notebook: 6,5%;
- Desktop: 3%;
- Tablet: 0,4%;
- Assistente de voz: 0,2%.
É importante interpretar o dado corretamente. A pesquisa não contabilizou cada busca realizada em cada aparelho. Ela identificou qual dispositivo os participantes utilizam com maior frequência nesse tipo de pesquisa.
Por isso, a conclusão tecnicamente adequada é que 89,8% dos entrevistados têm o smartphone como dispositivo principal para buscar informações sobre produtos e serviços online.
Ainda assim, a concentração é expressiva. A soma de notebook e desktop chega a 9,5%, enquanto tablets e assistentes de voz permanecem residuais.
Por que o celular deixou de ser uma tela secundária?
Durante muito tempo, empresas trataram o celular como uma versão reduzida da experiência desenvolvida para computadores. Primeiro, construía-se o site para desktop. Depois, elementos eram reorganizados para caber em uma tela menor.
Os dados mostram por que essa lógica está ultrapassada. Se quase 90% dos consumidores utilizam o smartphone com maior frequência para pesquisar produtos e serviços, o mobile passa a ser o ambiente principal. É nele que muitas pessoas terão o primeiro contato com uma marca, interpretarão sua proposta, verificarão informações e decidirão se vale a pena continuar a jornada.
Isso muda a prioridade do planejamento. Textos, imagens, menus, formulários, comparadores, avaliações e chamadas para ação precisam ser concebidos para o contexto real de uso do celular.
Nesse ambiente, a atenção é fragmentada, a área visível é menor e a conexão pode variar. Ao mesmo tempo, o consumidor alterna rapidamente entre mecanismos de busca, redes sociais, vídeos, ferramentas de Inteligência Artificial, sites oficiais e marketplaces.
Uma página que exige esforço excessivo perde competitividade antes mesmo de o usuário avaliar plenamente a oferta.
Android concentra a maior parte da pesquisa mobile no Brasil
O Android foi apontado como principal dispositivo de busca por 77,7% dos entrevistados. O iPhone apareceu com 12,1%.
Essa diferença ajuda a dimensionar o perfil tecnológico do mercado brasileiro, mas não deve ser interpretada como uma disputa simplista entre sistemas operacionais. Para marketing e experiência digital, o ponto mais importante é a diversidade de aparelhos, tamanhos de tela, capacidades de processamento e condições de conexão existentes dentro do próprio ecossistema Android.
Um site pode apresentar bom desempenho em um aparelho recente e ainda oferecer uma experiência lenta ou instável em dispositivos intermediários e de entrada. Da mesma forma, imagens muito pesadas, scripts desnecessários e interfaces complexas podem gerar impactos diferentes conforme o hardware utilizado.
O planejamento mobile precisa considerar essa heterogeneidade. Não basta testar uma página em um único aparelho ou em uma conexão rápida. É necessário avaliar carregamento, estabilidade visual, legibilidade e facilidade de interação em cenários mais próximos da realidade do público.
O tema do Android também se relaciona ao hábito de uso do Google, mas esse recorte já é desenvolvido no artigo “O Google ainda domina as buscas no Brasil em 2026?”. Neste artigo, a questão central é outra: o celular é o espaço prioritário da jornada comercial, independentemente da plataforma escolhida em cada etapa.
A Geração Z apresenta uma composição diferente de dispositivos?
Sim. Entre os consumidores de 18 a 29 anos, o uso do iPhone como principal dispositivo sobe para 21%, quase o dobro dos 12,1% observados na média geral.
O recorte não elimina a predominância do smartphone nem transforma o iPhone no aparelho majoritário entre os mais jovens. Ele indica, porém, que a composição de dispositivos varia conforme o perfil do público.
Essa diferença pode influenciar hábitos, interfaces disponíveis e formas de circular entre aplicativos. A própria pesquisa mostra uma jornada cada vez mais fragmentada, na qual redes sociais, vídeos, marketplaces, Google e ferramentas de IA ocupam funções diferentes.
Para marcas voltadas a públicos mais jovens, analisar apenas a média nacional pode esconder comportamentos relevantes. A estratégia precisa considerar idade, renda, repertório digital, contexto de uso e canais mais presentes na jornada de cada segmento.
Esse recorte geracional merece um artigo próprio. Nele, será possível aprofundar como Geração Z, TikTok, Instagram, iPhone e novas interfaces participam da busca sem transformar uma diferença de afinidade em uma suposta substituição completa dos mecanismos tradicionais.
Como o smartphone reorganiza a jornada de compra?
No celular, a jornada tende a acontecer por movimentos rápidos entre diferentes ambientes. O consumidor pode descobrir um produto em uma rede social, procurar avaliações, consultar o Google, comparar alternativas em um marketplace, visitar o site oficial e retomar a decisão em outro momento.
Essa circulação reforça uma das conclusões centrais de “O Mapa da Busca no Brasil 2026”: a busca não foi simplesmente transferida de uma plataforma para outra. Suas funções foram redistribuídas.
O Google permanece como referência de pesquisa e validação. Marketplaces concentram descoberta, comparação e finalização. Redes sociais contribuem para repertório e influência. A IA ajuda a organizar informações e reduzir dúvidas. E o celular conecta todos esses ambientes e reduz o intervalo entre eles.
Por isso, a marca não pode avaliar sua presença digital apenas pelo desempenho isolado de um canal. Ela precisa observar se as informações permanecem claras, consistentes e reconhecíveis durante toda a jornada.
O artigo “Marketplaces já superam o Google na descoberta de produtos online” mostra como plataformas de comércio concentram etapas importantes desse percurso. Já “Jornada de compra: avaliações influenciam mais que os influenciadores” aprofunda o papel da prova social na decisão.
Em ambos os casos, a experiência acontece predominantemente em uma tela pequena, tocada com os dedos e utilizada em contextos de atenção limitada.
O que muda para o SEO em uma jornada mobile-first?
SEO mobile não significa apenas garantir que o layout seja responsivo. A otimização precisa unir rastreamento, indexação, desempenho, conteúdo e experiência.
Alguns pontos ganham prioridade:
- carregamento rápido em redes móveis;
- estabilidade visual durante a abertura da página;
- botões e links com áreas de toque adequadas;
- fontes legíveis sem necessidade de ampliar a tela;
- hierarquia clara de títulos e informações;
- conteúdo principal acessível sem obstáculos;
- imagens dimensionadas e compactadas corretamente;
- menus simples e previsíveis;
- formulários curtos e fáceis de preencher;
- dados estruturados coerentes com o conteúdo visível;
- compatibilidade com diferentes tamanhos de tela;
- redução de scripts que não contribuem para a tarefa do usuário.
Também é necessário considerar a intenção. Quem pesquisa pelo celular pode precisar de uma resposta rápida, mas isso não significa necessariamente que deseja um conteúdo superficial.
O usuário pode buscar especificações técnicas, avaliações, comparações, condições de entrega, localização, disponibilidade ou formas de contato. A página precisa entregar essas informações com clareza e permitir que sejam encontradas sem esforço.
Em um ambiente mobile, organização é tão importante quanto profundidade.
Velocidade é suficiente para garantir uma boa experiência?
Não. Velocidade é essencial, mas não resolve sozinha uma experiência mal planejada.
Uma página pode carregar rapidamente e ainda apresentar textos pequenos, excesso de elementos, menus confusos ou chamadas para ação pouco claras. Também pode obter boas métricas técnicas e falhar na tarefa que levou o consumidor até ali.
A experiência mobile precisa combinar desempenho e utilidade. Isso significa responder, de forma objetiva:
- o que está sendo oferecido?
- para quem a solução é indicada?
- quais são suas características?
- por que a marca é confiável?
- como comparar alternativas?
- qual é o próximo passo?
- como tirar uma dúvida ou entrar em contato?
Quanto menor a tela, mais importante se torna a hierarquia. Informações secundárias não precisam desaparecer, mas devem ocupar o lugar correto e não competir com o conteúdo decisivo.
O que isso muda para conversão e geração de leads?
Se o smartphone é o dispositivo principal da pesquisa, formulários, páginas de produto, botões de contato e processos de compra também precisam partir do mobile.
Cada etapa adicional aumenta a possibilidade de abandono. Campos desnecessários, erros de preenchimento pouco claros, teclado inadequado, botões pequenos e páginas que recarregam sem preservar informações criam fricção.
Para e-commerces, é fundamental facilitar a consulta a preço, disponibilidade, entrega, avaliações e características do produto. Para empresas de serviço, o usuário precisa compreender rapidamente a oferta e encontrar uma forma simples de avançar, seja por formulário, telefone, WhatsApp ou agendamento.
Isso não significa eliminar contexto para tornar tudo curto. Significa organizar a informação conforme sua importância e reduzir obstáculos entre a dúvida e a ação.
Como as marcas devem responder ao comportamento mobile-first?
O primeiro passo é deixar de tratar o mobile como uma verificação realizada no final do projeto. Uma estratégia consistente deve:
- mapear as principais intenções de busca do público;
- identificar quais informações influenciam a decisão;
- priorizar essas informações na primeira experiência mobile;
- testar páginas em diferentes aparelhos e velocidades de conexão;
- avaliar métricas técnicas e comportamentais em conjunto;
- simplificar navegação, formulários e chamadas para ação;
- manter consistência entre Google, site, redes sociais, IA e marketplaces;
- revisar continuamente conteúdos e páginas com base em dados reais.
O objetivo não é apenas fazer uma página “caber” no celular. É permitir que o consumidor pesquise, compreenda, compare, valide e avance com o mínimo possível de atrito.
O celular é o centro da busca comercial no Brasil
O dado de 89,8% revela mais do que uma preferência de dispositivo. Ele mostra onde a experiência de pesquisa precisa funcionar primeiro.
Android e iPhone concentram quase nove em cada dez respostas quando o consumidor indica o aparelho que utiliza com mais frequência para buscar produtos e serviços. Notebook e desktop continuam relevantes em determinados contextos, mas já não representam o ambiente principal para a maioria dos brasileiros.
Isso exige uma mudança de perspectiva. A estratégia digital não deve começar no desktop e terminar em uma adaptação responsiva. Ela precisa nascer mobile, considerar limitações reais de hardware e conexão e acompanhar uma jornada que circula entre plataformas.
Marcas que compreendem esse comportamento não apenas melhoram páginas. Elas aumentam sua capacidade de serem encontradas, entendidas e escolhidas no dispositivo em que a decisão já está acontecendo.
Perguntas frequentes
Quantos brasileiros pesquisam produtos pelo celular?
De acordo com “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, 89,8% dos entrevistados declararam utilizar um smartphone Android ou iPhone com maior frequência para pesquisar produtos e serviços online.
A pesquisa afirma que 89,8% de todas as buscas acontecem no celular?
Não. O levantamento perguntou qual dispositivo cada participante utiliza com maior frequência. Portanto, o dado representa a parcela de consumidores que indicou o smartphone como dispositivo principal, e não a participação do celular no volume total de buscas realizadas.
Qual sistema é mais utilizado para pesquisar produtos no Brasil?
O smartphone Android foi indicado por 77,7% dos entrevistados. O iPhone foi apontado por 12,1%.
O uso do iPhone é maior entre a Geração Z?
Sim. Entre os participantes de 18 a 29 anos, o iPhone alcança 21% como principal dispositivo, acima dos 12,1% registrados na média da amostra.
Ter um site responsivo é suficiente para atender ao consumidor mobile?
Não. Além de se adaptar ao tamanho da tela, o site precisa oferecer velocidade, estabilidade, legibilidade, navegação simples, áreas de toque adequadas, conteúdo bem organizado e processos de conversão sem fricção.
O que é uma estratégia mobile-first?
É uma abordagem em que conteúdo, arquitetura, navegação e conversão são planejados primeiro para a experiência no celular e depois expandidos para telas maiores.

