Quase metade dos brasileiros usa mais o Google do que no ano passado

Estudo com mil consumidores mostra que 48,9% dos brasileiros afirmam usar mais o Google para pesquisar produtos e serviços do que no ano passado. Outros 34% mantiveram a frequência, enquanto 17,1% reduziram o uso. Entenda o que mudou na jornada de busca.

Escrito por: Rafael Zaia

Publicado em 11/09/202611 min de leitura

Notebook e smartphone com interface de busca digital e elementos visuais de crescimento, ilustrando o aumento do uso do Google pelos brasileiros

Quase metade dos consumidores brasileiros afirma utilizar mais o Google para pesquisar produtos e serviços do que utilizava um ano antes.

Segundo “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, 31,5% dos entrevistados disseram usar o Google muito mais, enquanto outros 17,4% afirmaram utilizar a plataforma um pouco mais. Somados, os dois grupos representam 48,9% da amostra.

Outros 34% disseram manter o Google na mesma frequência de uso. Na direção contrária, 11,9% afirmaram utilizar a plataforma um pouco menos e 5,2%, muito menos. Portanto, 17,1% relatam redução no uso.

O resultado ajuda a colocar em perspectiva uma discussão recorrente sobre o futuro das buscas. O surgimento de ferramentas de Inteligência Artificial, o crescimento das redes sociais e a expansão dos marketplaces não produziram uma migração uniforme para fora do Google.

A jornada está mais fragmentada, mas isso não significa necessariamente abandono. Para parte expressiva dos consumidores, o Google continua presente e, em muitos casos, passou a ser utilizado ainda mais.

Como mudou o uso do Google em relação a um ano antes?

A pesquisa perguntou aos participantes: “Agora, pensando exclusivamente no Google: comparado com 1 ano atrás, como você descreveria seu uso da plataforma para buscar informações sobre produtos ou serviços?”

As respostas foram:

  • uso muito mais: 31,5%;
  • uso um pouco mais: 17,4%;
  • uso na mesma frequência: 34%;
  • uso um pouco menos: 11,9%;
  • uso muito menos: 5,2%.
Infográfico mostra que 48,9% dos brasileiros usam mais o Google, 34% mantêm a mesma frequência e 17,1% usam menos em comparação ao ano passado

Quando agrupamos as respostas, o cenário fica ainda mais claro:

  • 48,9% usam mais o Google;
  • 34% mantiveram a frequência;
  • 17,1% usam menos.

É importante interpretar corretamente o resultado. A pesquisa não mediu o número absoluto de buscas realizadas no Google nem comparou dados de tráfego da plataforma entre dois períodos.

O levantamento registrou a percepção dos próprios consumidores sobre como seu uso mudou em relação a um ano antes.

Portanto, a conclusão adequada é que quase metade dos entrevistados declara ter aumentado o uso do Google para buscar informações sobre produtos e serviços.

O crescimento da Inteligência Artificial está reduzindo o uso do Google?

Para uma parcela dos consumidores, sim. Para a maioria da amostra, não. A própria pesquisa investigou os participantes que disseram utilizar menos o Google. Entre os principais motivos apontados para essa redução aparecem:

  • IA — promessa de respostas melhores: 34%;
  • anúncios — excesso percebido: 30%;
  • redes sociais — rapidez: 29%.
Infográfico mostra que, entre quem declarou usar menos o Google, 34% citam IA, 30% excesso de anúncios e 29% rapidez das redes sociais

Esses números ajudam a explicar por que a discussão não deve ser tratada como uma simples disputa entre Google, Inteligência Artificial e redes sociais.

A IA aparece como o principal motivo declarado entre aqueles que reduziram o uso do buscador, mas esse grupo representa uma parcela minoritária do total de entrevistados.

Ao mesmo tempo, quase metade da amostra relata estar utilizando o Google mais do que antes. Isso sugere que as transformações na busca estão ocorrendo por redistribuição de funções, e não necessariamente por substituição completa de uma plataforma pela outra.

O consumidor pode recorrer à IA para organizar informações, utilizar redes sociais para descobrir alternativas e ainda voltar ao Google para aprofundar, validar ou localizar outras fontes.

Por que algumas pessoas estão usando ainda mais o Google?

O levantamento mostra o aumento da frequência, mas não perguntou especificamente aos consumidores que aumentaram o uso quais foram os motivos dessa mudança. Portanto, não seria correto atribuir o crescimento a uma causa única.

O contexto geral da pesquisa, entretanto, mostra que o Google continua ocupando uma posição central na busca por informações sobre produtos e serviços.

Em outro recorte do estudo, 64% dos participantes citaram espontaneamente o Google como a primeira plataforma que lhes vem à cabeça quando precisam se informar sobre produtos ou serviços. Quando uma lista de alternativas foi apresentada, 72,4% indicaram o Google como plataforma utilizada primeiro.

Esses resultados ajudam a entender por que crescimento de IA, redes sociais e marketplaces pode coexistir com aumento no uso do Google.

Novos ambientes foram incorporados à jornada sem necessariamente eliminar os anteriores. Uma pessoa pode realizar mais pesquisas em diferentes plataformas ao mesmo tempo.

Mais plataformas significam menos Google?

Não necessariamente. Esse é um dos pontos mais importantes para interpretar a transformação da busca.

Durante muito tempo, a discussão digital foi organizada como se o consumidor precisasse escolher um único ambiente: Google ou TikTok, Google ou marketplace, Google ou Inteligência Artificial.

O comportamento real é mais complexo. O consumidor pode:

  • descobrir um produto em uma rede social;
  • pesquisar alternativas em um marketplace;
  • fazer uma pergunta para uma ferramenta de IA;
  • procurar avaliações;
  • acessar o Google;
  • visitar o site oficial da marca;
  • retornar a outro canal antes de decidir se vai comprar e em qual canal irá comprar.
Consumidor conectado a Google, redes sociais, marketplace, IA, site da marca e avaliações, ilustrando uma jornada de busca distribuída entre diferentes ambientes

A expansão de um ambiente não implica obrigatoriamente redução proporcional de todos os demais.

É possível que o consumidor faça mais buscas no total, distribuídas por um número maior de plataformas. Por isso, crescimento da fragmentação e crescimento do uso do Google não são informações contraditórias.

Por que 17,1% dos brasileiros dizem usar menos o Google?

A redução existe e merece atenção. Somando quem declarou usar o Google um pouco menos (11,9%) e muito menos (5,2%), chegamos a 17,1% da amostra.

Entre esses consumidores, três fatores aparecem praticamente empatados:

  • a promessa de respostas melhores por ferramentas de IA: 34%;
  • o excesso percebido de anúncios: 30%;
  • a rapidez das redes sociais: 29%.

Cada motivo representa uma pressão diferente sobre a experiência tradicional de busca.

A Inteligência Artificial compete principalmente pela capacidade de sintetizar informações e entregar respostas diretamente.

As redes sociais competem pela velocidade, formato e facilidade de descoberta.

Já a percepção de excesso de anúncios representa uma questão interna à própria experiência do Google: quando o usuário sente dificuldade para encontrar o que procura, outras alternativas passam a ganhar atratividade.

A IA é hoje a principal ameaça ao Google?

Os dados não permitem concluir isso de forma tão ampla.

A IA aparece como o motivo mais citado entre os participantes que afirmaram ter reduzido o uso do Google. Isso é diferente de afirmar que 34% de todos os brasileiros substituíram o Google por IA.

Essa distinção é essencial. A pergunta sobre os motivos foi apresentada apenas aos usuários que responderam anteriormente que estavam utilizando menos o Google.

Portanto, os 34% precisam ser compreendidos dentro desse grupo específico.

Além disso, outros resultados do estudo mostram que Google e Inteligência Artificial podem fazer parte da mesma jornada, exercendo funções diferentes.

O comportamento emergente não é necessariamente Google versus IA, mas Google + IA + outros canais, dependendo da necessidade do consumidor naquele momento.

O excesso de anúncios pode afetar o comportamento de busca?

Sim, pelo menos para parte dos consumidores que reduziram seu uso. O excesso percebido de anúncios foi citado por 30% desse grupo, ficando muito próximo da Inteligência Artificial, com 34%, e das redes sociais, com 29%.

O dado é relevante porque mostra que a competição do Google não acontece apenas fora de sua plataforma. A própria experiência apresentada na página de resultados pode influenciar a disposição do usuário de continuar utilizando o buscador.

Quando o consumidor precisa identificar quais resultados são patrocinados, localizar conteúdos que considera relevantes e decidir em quais fontes confiar, a qualidade percebida da experiência passa a ter peso.

Esse comportamento se conecta a outro resultado da pesquisa: os consumidores demonstram capacidade de distinguir anúncios de resultados orgânicos e atribuem níveis diferentes de confiança a essas fontes.

Para marcas, isso reforça a importância de não depender exclusivamente da compra de visibilidade. Presença orgânica, autoridade, conteúdo útil e reconhecimento da marca continuam importantes para ocupar os espaços em que o consumidor busca validação.

Redes sociais estão substituindo o Google?

Também não é isso que os dados mostram. A rapidez das redes sociais foi mencionada por 29% dos consumidores que diminuíram o uso do Google.

Isso mostra que plataformas sociais conseguem responder bem a determinados comportamentos, especialmente descoberta rápida, conteúdo visual, recomendações e repertório.

Mas a pesquisa também identifica funções distintas ao longo da jornada. Redes sociais podem iniciar uma descoberta sem necessariamente substituir etapas posteriores de pesquisa e validação. É por isso que analisar apenas o ponto inicial de uma jornada pode levar a conclusões incompletas.

Uma marca descoberta no Instagram, TikTok ou YouTube pode ser posteriormente pesquisada no Google, consultada em marketplaces, mencionada em uma ferramenta de IA e comparada com concorrentes antes da decisão.

O que esse resultado muda para o SEO?

O dado de 48,9% é importante porque mostra que reduzir investimentos em SEO sob a premissa de que “as pessoas deixaram de usar o Google” não encontra respaldo nesse levantamento.

Na amostra pesquisada, ocorre justamente o contrário: o grupo que afirma utilizar mais o Google é quase três vezes maior que o grupo que relata utilizar menos.

Isso não significa que uma estratégia digital deva continuar concentrada exclusivamente no buscador. O ponto estratégico é outro.

SEO continua sendo necessário, mas já não é suficiente para cobrir toda a jornada.

As empresas precisam garantir presença consistente em mecanismos de busca, ferramentas de IA, marketplaces, redes sociais, vídeos, sites próprios e outros ambientes relevantes para seu público.

O objetivo deixa de ser escolher qual plataforma “vai vencer” e passa a ser compreender qual papel cada ambiente exerce na decisão.

Infográfico mostra a presença digital conectada a SEO, GEO e AEO, distribuída entre Google, IA, redes sociais, marketplaces, site próprio e avaliações

Como GEO e AEO entram nessa mudança?

A expansão das ferramentas de Inteligência Artificial acrescenta uma nova camada à estratégia de presença digital.

SEO fortalece a presença na busca. GEO amplia o potencial de presença em respostas generativas. AEO prepara a marca para ser compreendida em diferentes ambientes de Inteligência Artificial.

Essas disciplinas não precisam ser tratadas como substitutas. Ao contrário: quanto mais fragmentada se torna a jornada, mais importante fica trabalhar conteúdo, tecnologia, autoridade, entidades, referências e consistência de informações de forma integrada.

GEO e AEO não são uma ação isolada. Exigem integração entre tecnologia, conteúdo, autoridade e dados.

Uma marca pode ser encontrada no Google, mencionada em uma resposta gerada por IA, validada em avaliações e posteriormente acessada diretamente pelo consumidor.

A presença digital passa a funcionar como um ecossistema.

As marcas devem diminuir sua dependência do Google?

Devem diminuir a dependência exclusiva, mas isso é diferente de diminuir necessariamente sua presença no Google.

Os dados indicam que o buscador continua muito relevante e que uma parcela expressiva dos consumidores aumentou seu uso.

Ao mesmo tempo, o crescimento de IA, redes sociais e marketplaces demonstra que depender de um único ponto de contato aumenta o risco estratégico.

O caminho mais consistente é ampliar a distribuição da presença sem abandonar canais que continuam desempenhando funções importantes.

Na prática, isso significa:

  • manter uma estratégia sólida de SEO;
  • estruturar conteúdos que possam ser compreendidos por sistemas de IA;
  • desenvolver autoridade em fontes externas;
  • trabalhar avaliações e reputação;
  • manter informações consistentes entre plataformas;
  • acompanhar como o público descobre, compara e valida a marca;
  • mensurar o papel de cada canal na jornada, e não apenas a conversão final.

A questão não é substituir Google por outro ambiente. É reduzir pontos cegos dentro de uma jornada cada vez mais distribuída.

O Google está perdendo espaço ou sendo usado de outra forma?

Os resultados apontam principalmente para uma mudança de função ao longo da jornada.

O próprio relatório resume esse cenário ao indicar que o uso do Google se mantém, mas é redistribuído ao longo da jornada. Essa leitura é mais consistente com os diferentes resultados encontrados.

Quase metade afirma usar mais a plataforma. Um terço mantém a frequência. Uma parcela menor relata redução, principalmente pela promessa de respostas melhores da IA, pelo excesso percebido de anúncios e pela rapidez das redes sociais.

O Google continua relevante, mas já não opera em um ambiente isolado. A busca passou a coexistir com descoberta social, recomendações algorítmicas, marketplaces, vídeos e respostas generativas.

Quase metade dos brasileiros aumentou o uso do Google

A transformação da busca no Brasil não pode ser resumida à ideia de que uma nova tecnologia está simplesmente substituindo outra. O grupo que passou a usar mais o Google é quase três vezes maior do que o grupo que passou a usar menos, e os dois movimentos acontecem ao mesmo tempo.

O consumidor adicionou novos ambientes à jornada, mas não necessariamente abandonou o Google.

Para as marcas, o desafio deixa de ser apostar em um vencedor e passa a ser construir uma presença capaz de permanecer encontrável, compreensível e confiável enquanto o consumidor circula entre diferentes plataformas.

Perguntas frequentes

Quantos brasileiros passaram a usar mais o Google?

De acordo com “O Mapa da Busca no Brasil 2026”, 31,5% disseram utilizar o Google muito mais do que um ano antes e 17,4% um pouco mais. Somados, representam 48,9% da amostra.

Quantos brasileiros passaram a usar menos o Google?

11,9% afirmaram usar o Google um pouco menos e 5,2% muito menos. Somados, representam 17,1% dos entrevistados.

Quantos mantiveram o uso do Google?

34% dos participantes disseram utilizar o Google na mesma frequência de um ano antes.

Por que algumas pessoas estão usando menos o Google?

Entre os consumidores que declararam redução no uso, 34% apontaram a promessa de respostas melhores pela IA, 30% citaram excesso percebido de anúncios e 29% mencionaram a rapidez das redes sociais.

A Inteligência Artificial está substituindo o Google?

Os dados não permitem essa conclusão. A IA é um dos motivos citados por quem reduziu o uso do Google, mas, no total da amostra, 48,9% afirmam utilizar mais o buscador e outros 34% mantiveram a frequência.

Ainda vale a pena investir em SEO?

Sim. O levantamento mostra que o Google continua tendo papel relevante na pesquisa de produtos e serviços. Ao mesmo tempo, a fragmentação da jornada indica que SEO deve ser integrado a outras frentes de presença digital, incluindo GEO, AEO, redes sociais, marketplaces e conteúdo distribuído.

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