O smartphone consolidou-se como o principal dispositivo utilizado pelos brasileiros para pesquisar produtos e serviços na internet. Entretanto, a composição desse uso não é exatamente igual entre todas as faixas etárias.
Entre os consumidores de 18 a 29 anos, o iPhone ganha força e aparece como o dispositivo mais utilizado para pesquisas online por 21% dos entrevistados. Na amostra geral, essa participação é de 12,1%.
A diferença de 8,9 pontos percentuais mostra que o aparelho da Apple possui uma presença proporcionalmente maior entre os consumidores mais jovens. Isso não significa que o Android tenha deixado de ser relevante ou que todos os jovens apresentem o mesmo comportamento.
O resultado indica que as marcas precisam considerar diferentes aparelhos, sistemas operacionais, navegadores e ambientes digitais ao planejar sua presença mobile.
Qual é o principal dispositivo utilizado pelos brasileiros para pesquisar?
Considerando todos os entrevistados, 89,8% utilizam um smartphone como principal dispositivo para pesquisar produtos e serviços online.
A distribuição geral identificada pela pesquisa foi:
- Smartphone Android: 77,7%;
- Smartphone iPhone: 12,1%;
- Notebook: 6,5%;
- Computador desktop: 3%;
- Tablet: 0,4%;
- Assistente de voz: 0,2%.
Os números mostram uma predominância clara do celular. Somados, notebooks e computadores desktop representam 9,5% das respostas, enquanto tablets e assistentes de voz possuem participação reduzida.
É importante observar que a pesquisa perguntou qual dispositivo o consumidor utiliza com mais frequência. Portanto, os resultados não representam todo o volume de pesquisas nem significam que cada pessoa utilize exclusivamente um único aparelho.
O que muda entre os consumidores de 18 a 29 anos?
O principal destaque do recorte etário está na participação do iPhone, já apresentada acima. Em termos relativos, essa participação é aproximadamente 74% superior à observada no conjunto da amostra. A diferença não elimina a importância dos aparelhos Android, mas revela uma composição distinta dentro do próprio universo mobile.
Esse comportamento exige cuidado na interpretação. O levantamento não permite afirmar que todos os jovens preferem o iPhone nem que uma marca deva concentrar sua estratégia exclusivamente nesse sistema.
A conclusão mais consistente é que testar uma experiência digital em apenas um tipo de aparelho se torna ainda mais arriscado quando a marca busca alcançar consumidores mais jovens.
Os jovens possuem uma jornada de busca mais fragmentada?
A maior participação do iPhone entre os consumidores de 18 a 29 anos sugere uma distribuição diferente dos dispositivos utilizados, mas não comprova isoladamente que toda a jornada desse público seja mais fragmentada.
Para demonstrar uma fragmentação completa, seria necessário acompanhar o consumidor em diferentes etapas, identificando os aparelhos e canais utilizados desde a descoberta até a conversão.
Ainda assim, o recorte mostra que as marcas não devem tratar o tráfego mobile como um ambiente uniforme.
Dentro da navegação por smartphones, existem diferenças relacionadas a:
- sistema operacional;
- navegador;
- resolução e proporção da tela;
- comportamento do teclado;
- permissões de privacidade;
- abertura de links entre aplicativos;
- preenchimento automático de formulários;
- formas de contato e autenticação;
- desempenho do aparelho e da conexão.
Uma página pode funcionar corretamente em determinado dispositivo e apresentar obstáculos em outro. Por isso, uma experiência mobile-first precisa ser testada em diferentes condições reais de acesso.
O que esse resultado muda para o SEO?
Para o SEO, a predominância dos smartphones confirma que a versão mobile não pode ser tratada como uma adaptação secundária da página criada para computadores.
O conteúdo principal, os links internos, as imagens, os dados estruturados e os elementos de navegação precisam permanecer acessíveis e coerentes na experiência mobile.
A participação maior do iPhone entre os jovens acrescenta uma camada importante: as validações não devem ficar restritas a aparelhos Android ou a uma única configuração de navegador.
Entre os principais pontos que precisam ser verificados estão:
- rastreamento e indexação: o conteúdo relevante deve estar presente na página mobile e disponível para rastreamento. Elementos carregados apenas após determinadas interações precisam ser avaliados para evitar que informações importantes fiquem ocultas ou inacessíveis;
- desempenho em diferentes aparelhos: o tempo de carregamento pode variar de acordo com a capacidade do dispositivo, a velocidade da conexão e a quantidade de scripts executados. O objetivo não deve ser alcançar apenas uma boa pontuação em uma ferramenta, mas garantir que a página permaneça utilizável em diferentes situações;
- conteúdo e hierarquia: títulos, parágrafos, listas, imagens e botões precisam apresentar uma hierarquia clara. Simplificar a experiência não significa retirar informações relevantes ou produzir conteúdos superficiais. O usuário precisa conseguir identificar rapidamente o assunto da página, encontrar respostas e avançar para outras informações quando necessário;
- compatibilidade dos elementos interativos: menus, formulários, seletores, campos de busca e botões devem funcionar corretamente em diferentes sistemas. Uma falha em um campo ou uma área de toque inadequada pode interromper a jornada, mesmo que o conteúdo esteja bem posicionado nos resultados de busca.
As marcas devem criar estratégias diferentes para Android e iPhone?
Não é necessário criar duas estratégias de conteúdo completamente separadas. O mais adequado é desenvolver uma experiência consistente e validar seu funcionamento nos principais ambientes utilizados pelo público.
A estratégia pode compartilhar a mesma arquitetura, o mesmo conteúdo e os mesmos objetivos, enquanto os testes técnicos identificam diferenças de comportamento entre sistemas e navegadores. Alguns cuidados incluem:
- testar páginas e formulários em aparelhos Android e iPhones;
- verificar menus, filtros e elementos expansíveis;
- avaliar o preenchimento automático dos campos;
- conferir a abertura de links externos e aplicativos;
- testar botões de telefone, mensagem e agendamento;
- verificar imagens em diferentes proporções de tela;
- evitar elementos que dependam exclusivamente da passagem do cursor;
- monitorar possíveis diferenças de conversão entre dispositivos.
Essas medidas não devem ser aplicadas apenas às páginas de venda. Conteúdos editoriais, páginas institucionais, áreas de contato e páginas de serviços também fazem parte da experiência de pesquisa.
O comportamento dos jovens elimina a importância do computador?
Não. Embora o smartphone seja claramente predominante, a pesquisa identifica notebooks e computadores desktop como dispositivos principais para uma parcela dos consumidores.
Um usuário pode começar uma pesquisa pelo celular, comparar informações em um notebook e concluir uma ação em outro momento. Também pode acontecer o caminho inverso.
Por isso, priorizar a experiência mobile não significa abandonar o desktop. Significa reconhecer qual é o principal ponto de acesso sem comprometer a continuidade entre telas.
Como interpretar corretamente os dados da pesquisa?
Os resultados devem ser compreendidos dentro do escopo do levantamento. A pesquisa ouviu 1.000 brasileiros com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país, em dezembro de 2025. A margem de erro é de aproximadamente três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O recorte de 18 a 29 anos não deve ser automaticamente tratado como sinônimo exato de Geração Z. Ele reúne consumidores definidos por idade no momento da pesquisa, e não por uma classificação geracional rígida.
Também não é possível concluir, somente com esses dados, que usuários de iPhone pesquisem mais, comprem mais ou apresentem maior taxa de conversão. O levantamento mostra qual aparelho é indicado como principal para pesquisar produtos e serviços online.
O que as empresas podem aplicar a partir desses resultados?
O primeiro passo é verificar como o público da própria marca acessa suas páginas.
Os dados gerais da pesquisa oferecem uma referência sobre o mercado brasileiro, mas precisam ser combinados com informações da operação, como distribuição por dispositivo, navegador, sistema operacional, páginas acessadas e ações realizadas.
A partir disso, a empresa pode:
- identificar os aparelhos mais utilizados pelo seu público;
- avaliar possíveis diferenças de desempenho;
- testar formulários e pontos de conversão;
- analisar páginas com maior abandono;
- conferir se o conteúdo principal permanece acessível;
- priorizar correções que afetam etapas importantes da jornada;
- comparar a experiência entre diferentes sistemas e navegadores.
O objetivo não é criar uma experiência exclusiva para determinado fabricante, mas reduzir obstáculos independentemente do aparelho escolhido pelo consumidor.
Uma estratégia mobile-first precisa considerar diferentes experiências
O celular é o principal dispositivo utilizado pelos brasileiros para pesquisar produtos e serviços online, mas o ambiente mobile não é homogêneo.
A participação do iPhone passa de 12,1% na amostra geral para 21% entre os consumidores de 18 a 29 anos. Essa diferença reforça a importância de validar páginas, conteúdos e jornadas em mais de um sistema e configuração.
As marcas precisam compreender o mobile-first como uma integração entre tecnologia, conteúdo, desempenho e experiência. Adaptar visualmente uma página para telas menores é apenas uma parte do trabalho.
Uma presença digital consistente depende de oferecer informações acessíveis, navegação clara e continuidade ao usuário, seja qual for o dispositivo utilizado durante a pesquisa.

